Mulheres negras disputam a Vice no PT de Ribeirão Preto

/ Editor: José Alfredo | Agência Rede PT Ribeirão
Receba nossas notícias pelo Telegram

Foto: Arquivo Rede PT

Mulheres negras disputam a Vice no PT de Ribeirão Preto

Entre elas, duas históricas militantes do Movimento Negro: a professora Ádria Maria Bezerra Ferreira e a pedagoga Sílvia Helena Seixas Alves

O PT de Ribeirão Preto está de olho nas mulheres. Pela primeira vez, o partido tem duas pré-candidatas para disputar como vice-prefeita, ao lado de Antônio Alberto Machado, eleito em prévias ocorridas no dia 1º de março, com mais de 70% dos votos da militância petista. Ádria Maria Bezerra Ferreira e Sílvia Helena Seixas Alves almejam o cargo e buscam conquistar os votos dos delegados do Diretório local.

 

Dos quatro pré-candidatos que iniciaram a disputa, o professor Fábio Sardinha e o empresário Nélio Figueiredo abriram mão em apoio à candidatura feminina.

 

DEBATE DECISIVO NESTE SÁBADO

Conforme orientação dos órgãos sanitários de evitar aglomerações em período de pandemia do Coronavírus, o 2º Debate entre as pré-candidatas a Vice-prefeita será na modalidade virtual, através de videoconferência, neste próximo sábado (15), às 10 horas. O evento será transmitido somente na Sala Virtual do Diretório Municipal do Partido dos Trabalhadores de Ribeirão Preto.

 

PRÉVIAS NESTE DOMINGO

Com a eleição nas prévias marcada por duas mulheres negras de inegável trajetória na sociedade ribeirão-pretana, o PT aproveita para denunciar os fatores que impedem 27% da população brasileira a terem seus interesses representados em cargos eletivos.

 

MULHERES NEGRAS: GRANDE PRESENÇA NA SOCIEDADE, BAIXA REPRESENTATIVIDADE NA POLÍTICA

O Brasil é um dos piores países do mundo em representatividade de mulheres na política, com uma porcentagem ínfima de 10,7% dessas representantes no parlamento, formado majoritariamente por homens. O país ocupa a vergonhosa 140ª posição no ranking de representatividade feminina no parlamento, entre 193 países pesquisados, segundo o relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) e da União Interparlamentar.

 

As mulheres brasileiras são maioria da população e do eleitorado, no entanto elas não ocupam sequer 15% nos cargos eletivos do país. São exatos 12,32% em 70 mil cargos eletivos, segundo o Mapa da Política de 2019, elaborado pela Procuradoria da Mulher no Senado.

 

Na Câmara Federal, o cenário não é diferente. Dos 513 deputados só 77 são mulheres. Em 2019, dos 11 cargos da Mesa Diretora (incluindo os suplentes) as deputadas ocupam apenas dois; e das 25 comissões permanentes somente 4 são presididas por mulheres.

 

No entanto, a sub-representatividade feminina tem uma característica ainda mais perversa quando se trata do recorte de gênero e raça. Em 2016, apenas 0,5% dos eleitos para prefeituras e câmaras de todo país eram mulheres negras — sendo que elas correspondem a 27% da população brasileira.

 

Existem inúmeros fatores para explicar essa distorção que questiona profundamente a qualidade da democracia representativa brasileira, porém eles estão ancorados em dois problemas estruturais da nossa sociedade: o racismo e o machismo.

 

O estudo de Shirlei Santos de Jesus Silva, “Representatividade parlamentar das mulheres negras nas eleições de 2014 e os possíveis fatores influenciadores na não-equidade da disputa eleitoral”, aponta essa ausência de mulheres negras na política como o reflexo de um sistema racista mais amplo que sustenta a subalternidade de representação nas esferas de poder, e também nas casas, nos bairros, nas cidades e no cotidiano das vidas dessas mulheres.

 

Osmar Teixeira Gaspar, pesquisador da USP, em entrevista à revista AzMina, reforça que o racismo estrutural brasileiro é responsável pelo baixo índice de negros e negras nos espaços de visibilidade positiva, prestígio e poder no Brasil. Em estudo sobre a sub-representação dos negros na política, ele destacou que existe uma mobilização social velada para que os brasileiros que descendem da forçada diáspora africana não ocupem locais importantes de prestígio e destaque, como é o caso da política. Assim, entende-se que quem deve ocupar esses locais são justamente as pessoas brancas e ricas.

 

QUE PERFIL ‘IDEAL’ É ESSE?

 

Tal como a ponta de um iceberg, o sistema racista e patriarcal da sociedade brasileira se expressa de diversas formas nas relações cotidianas e sociais — que vão minando silenciosa e brutalmente a participação feminina e negra na política. O Mapa Étnico das Mulheres na Política Brasileira, elaborado pela Confederação Nacional de Municípios, revela que a baixa representatividade das mulheres negras nos espaços de poder se deve à crença de um estereótipo. Mas que estereótipo seria esse?

 

O Mapa conclui que partidos e o próprio eleitorado tendem a associar competência política a um perfil masculino, branco, heterossexual, casado e de boa posição econômica e social — o padrão que lota as casas legislativas e executivas do país.

 

As consequências desse ‘perfil ideal’ criam barreiras visíveis e invisíveis para a participação das mulheres no geral. Segundo a pesquisa Perfil Mulher na Política, do projeto Me Farei Ouvir e da ONG Elas no Poder, 40% das mulheres afirmam não ‘entrar para a política’ porque consideram que “não tem perfil”. Desigualdade na distribuição das tarefas domésticas, relutância do partido em apoiar candidatas e o ambiente hostil (assédio e desrespeito) às mulheres também foram as causas apontadas por mais de 70% das entrevistadas.  Isso demonstra a importância de iniciativas que estimulem a ambição política das mulheres, mostrando que a política é um espaço para os mais diversos perfis e personalidades.

 

Shirlei relatou, em seu artigo, a experiência do projeto “Mulher na Política”, em algumas comunidades de Salvador-BA com líderes comunitárias. Elas expuseram indignação e preocupação direta com os bairros onde vivem, e as suas problemáticas específicas, além de terem uma visão de que os partidos políticos são sexistas, e sem espaço para as mulheres e suas demandas, colocando essas posições como justificativas a não candidatura aos cargos políticos.

 

No caso das mulheres negras, as barreiras que já impedem a saída logo de cara para a disputa política encontram eco ainda mais profundo nas marcas do racismo. Alvos da dupla discriminação — racismo e machismo –, elas ainda carregam o fardo sociocultural do período colonial do Brasil, a qual a coloca na maioria das vezes, em trabalhos informais, domésticos e de baixa remuneração, assim por muitas vezes a jornada tripla de trabalho é muitas vezes a única opção, de contribuir com a renda familiar — apontou Shirlei. E esse fardo ainda tem consequências concretas no presente. Em 2015, 88,7% das (os) trabalhadoras (es) domésticas (os) entre 10 e 17 anos no Brasil eram meninas e 71% eram negras (os), segundo dados do PNAD. Esses elementos alimentam a falácia de que “política não é lugar de mulher, muito menos de mulher negra” resultando no grupo com menor representatividade do país, perdendo apenas das mulheres indígenas. 

 

VIDA E POLÍTICA

 

As cotas partidárias para candidatura de mulheres e a garantia de financiamento público são instrumentos que têm incentivado a participação feminina na política, mas ainda são insuficientes. A lógica da dinâmica eleitoral brasileira hoje ainda separa a figura “candidato” da figura “pessoal”, possível apenas em um sistema em que o candidato (homem, branco, hetero, cis) vai para a “vida pública”, enquanto mulheres cuidam de sua vida pessoal e familiar.

 

Portanto, medidas para garantir a participação de mulheres precisam ir além de cotas e financiamento. As questões familiares, o cuidar dos filhos e locais considerados de “mulher”, ocupam parte do tempo das mulheres, e também são pontos que ficam claros nas estatísticas, onde a maioria das candidatas segundo o Livro REDE Mulher e Democracia de 2008, tem mais de 50 anos, idade em que os filhos já estão criados e independentes, assim possibilitando o ingresso destas as candidaturas, aponta o artigo de Shirley. A quantidade de filhos também é colocada como um ponto influenciador, em que são observadas mais candidaturas de mulheres com menor quantidade de filhos.

 

Ou seja, incluir e ampliar a participação de mulheres na política significa deslocar e rearranjar estruturas sólidas de discriminação e preconceito — portanto uma tarefa árdua colocada para os movimentos de mulheres e movimentos antirracistas.

 

Jesus Silva aponta algumas saídas que incluem fechar as brechas preconceituosas e fatores recorrentes de dificultam o ingresso dessas mulheres negras ao cenário político. Aumentar o número é tarefa estratégica, mas não garante o sucesso dessa transformação. As mulheres negras, historicamente excluídas da construção da sociedade brasileira, precisam de estímulo do Estado e da família para se politizarem e integrarem as trincheiras da luta pelo fim do racismo, do sexismo e da lesbo-homo-transfobia.

 

“Tudo isso nos faz questionar sobre como as demandas das mulheres negras serão pautadas (ou não) dentro do âmbito político, sem a sua real representatividade e olhar neste meio”, pesquisadora Shirlei Santos de Jesus Silva.

 

Serviço: DEBATE VIRTUAL PRÉ-CANDIDATOS (AS) A VICE-PREFEITO (A) DE RIBEIRÃO PRETO

Dia: 15 de agosto (sábado)

Horário: 10 h

Endereço: Sala Virtual do Partido dos Trabalhadores

Local: Videoconferência on-line

 

Serviço: PRÉVIAS PARA ESCOLHA DA PRÉ-CANDIDATA A VICE-PREFEITA

Dia: 16 de agosto (domingo)

Horário: Das 10 às 12 h

Endereço: Sala Virtual do Partido dos Trabalhadores

Local: Videoconferência on-line

 

REGRAS PARA A PARTICIPAÇÃO NO PROCESSO DE PRÉVIAS

 

O Estatuto é claro, mas se houver acordo no Diretório (ou seja, de ninguém entrar com processo na Estadual), pode-se decidir a melhor proposta para o melhor desempenho do processo, levando-se em conta a Pandemia do novo Coronavírus.


Seção I – Do direito de votar e ser votado

Art. 182. Estará apto a votar em qualquer atividade de base e das instâncias partidárias todo filiado, ou filiada, em dia com as contribuições financeiras partidárias, conforme as regras e tabelas estabelecidas neste Estatuto.

§1º: Considera-se em dia o filiado, ou filiada, que efetuou as contribuições financeiras com o Partido.

§2º: Tratando-se de filiado, ou filiada, ocupante de cargo eletivo, de confiança e dirigentes, considera-se em dia aquele que tenha quitado todas as suas contribuições financeiras partidárias até o mês anterior à atividade de que pretende participar.

§3º: Somente poderá ser votado nas eleições partidárias o filiado, ou filiada, que estiverem em dia com todas as suas contribuições financeiras partidárias, inclusive débitos passados.

---
SeCom - Secretaria de Comunicação do PT de Ribeirão Preto Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

Comentários (1)

maherart@hotmail.com

Assim não vale, conseguiram colocar duas grandes mulheres para a conquista de apenas uma vaga e nos colocar numa tremenda saia justa. DUAS MULHERES QUE MERECEM RESPEITO E ADMIRAÇÃO, parabens ao PT pela escolha