Imprensa golpista ataca Palocci e oculta informações

/ Editor: José Alfredo | Agência Rede PT Ribeirão
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foto: Evaristo Sá/AFP

Imprensa golpista ataca Palocci e oculta informações

Ex-prefeito de Ribeirão Preto e ex-ministro nos governos de Lula e Dilma é atacado por revista, caluniando a imagem do petista. Palocci divulgou uma carta aos amigos apontando as falhas contidas no texto

Antônio Palocci Filho, ex-prefeito de Ribeirão Preto duas vezes e ex-ministro dos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff (Fazenda e chefe da Casa Civil, respectivamente), foi atacado pela mídia golpista, que busca a cada dia criminalizar o PT. A revista Época, do grupo Globo, publicou reportagem de capa, na edição de 18 de abril, estampando a imagem de Palocci e o título "Os papéis secretos de Palocci". Em sua defesa, Palocci divulgou uma "Carta aos amigos e amigas", citando a abordagem como "sensacionalista e espetaculosa" e exemplificando três incorreções. Ele acrescentou que o periódico semanal "misturando assuntos, escondendo fatos conhecidos e manipulando datas, tenta desqualificar as legítimas relações comerciais de minha atividade de consultoria, através da empresa Projeto, com diversas empresas privadas".

Na reportagem interna são feitas algumas ilações, questionamentos, denúncias de pessoas e informações de fontes em off (anonimato). A revista garante que teve acesso a "investigação sigilosa" do Ministério Público Federal (MPF), que teve acesso a documentos internos da empresa de consultoria de Palocci, chamada Projeto, e menciona uma lista com 30 nomes de empresas que pagaram o ex-ministro.

Antes de ler a carta de Palocci, abaixo, cabe aqui algumas observações. Se a investigação do MPF é sigilosa, o responsável ou subalterno cometeu ou não um crime ao vazar tais informações? Como a revista teria acesso a documentos da empresa de Palocci? Qual a confiabilidade de tais informações, sempre no anonimato, com ilações e questionamentos, sem qualquer prova concreta? E, tendo tais informações "exclusivas", a revista faz duas perguntas e emite uma resposta enigmática: "Por que grandes empresas gastaram tanto com Palocci? E qual o destino final do dinheiro? Ninguém sabe ainda." 

Leia, abaixo, a íntegra da carta de Antônio Palocci:

"Caros amigos e amigas,

Mais uma vez peço um pouco de seu tempo.

Novamente um órgão de nossa imprensa investe de maneira sensacionalista e espetaculosa contra a minha honra. Desta feita uma reportagem de capa da revista ÉPOCA, da edição divulgada em 18/4, misturando assuntos, escondendo fatos conhecidos e manipulando datas, tenta desqualificar as legítimas relações comerciais de minha atividade de consultoria, através da empresa Projeto, com diversas empresas privadas.

Mas não quero recorrer à retórica. Gostaria de esclarecer os fatos narrados pela reportagem e, a bem da verdade, expor o que a revista se recusou a informar, confundindo deliberadamente seus leitores.
Nesse texto jornalístico tentaram colocar sob suspeita a licitude dos contratos de prestação de serviços técnicos celebrados pela Projeto Ltda. com três grandes grupos empresariais privados nacionais, quais sejam PÃO DE AÇÚCAR, JBS e CAOA, todos firmados há vários anos.

Eis a verdade dos fatos:

1) GRUPO PÃO DE AÇÚCAR
Conforme documento, subscrito por seu então presidente, constante de antigo expediente do Ministério Público Federal, processado perante Vara Federal de Brasília, foram prestados serviços técnicos de acompanhamento da aquisição de Casas Bahia, pelo acima nominado conglomerado varejista, trabalho este executado em parceria com o Escritório de Advocacia Márcio Thomaz Bastos.
Essa contratação já foi objeto de investigação pelo MPF do Distrito Federal que, nada encontrando de irregular, requereu e obteve do Juiz Federal daquela Capital o ARQUIVAMENTO do feito. O estranho é que a revista Época, que diz ter tido acesso ao referido processo, sabia desse arquivamento e o ocultou de seus leitores.

2) GRUPO JBS
Os serviços de avaliação da conveniência, de planejamento e de execução da internacionalização do complexo empresarial JBS através da aquisição da maior produtora de proteína animal dos Estados Unidos, a PILGRIMS, foram prestados muito tempo antes de intervir no processo o BNDES. A Projeto não realizou a negociação da aquisição, feita por outras entidades do setor financeiro e jurídico. A Projeto realizou estudo de avaliação da oportunidade do negócio, que, enfim foi realizado com sucesso. O trabalho da Projeto não teve qualquer relação com o financiamento do BNDES. Tanto assim que 5 das 6 parcelas dos honorários devidas à Projeto foram pagos muito antes do financiamento. Especificando os trabalhos, há detalhado relatório técnico elaborado por Projeto Ltda., que também se encontra no expediente investigatório a que Época teve acesso e que tramita no Juízo Federal do DF muitos anos faz. Também neste aspecto a matéria preferiu ocultar de seus leitores esse relatório e insinuar, maldosamente, que os serviços podem não ter sido prestados.

3) GRUPO CAOA
Tratou o serviço técnico prestado de avaliar, esboçar plano de execução de associação com montadora de automóveis, estudar tendências do mercado mundial do setor, oportunidades e estratégias de novos negócios, trabalho este que data de mais de quatro anos atrás.
Se, depois de muitos anos (em 2014), algumas montadoras, inclusive a CAOA, vieram a obter prorrogação de regime tributário diferenciado por decisão do Congresso Nacional, tal circunstância não tem nenhuma relação com o contrato em causa, como insinuou a referida reportagem. Neste caso, as distâncias são mais gritantes, pois os honorários foram pagos em 2010 e os citados benefícios foram prorrogados 4 anos depois!
Peço desculpas se não me estendo aqui no detalhamento dos trabalhos prestados. Isso porque eles decorrem de contratos com cláusulas de sigilo que me obrigo a respeitar. Mas nos autos do apuratório que Época afirma ter tido acesso há toda documentação comprobatória da perfeita regularidade das contratações em questão.

A reportagem informa também que as empresas negaram o trabalho da consultoria Projeto. Pelo que apuramos isso absolutamente não ocorreu. Na verdade as perguntas enviadas pelos jornalistas responsáveis pelo texto falavam sobre outros assuntos, notadamente sobre um suposto inquérito da conhecida operação Lava Jato, que nada tem a ver com os fatos narrados aqui ou mesmo na citada reportagem. Algumas empresas preferiram não comentar sobre seus contratos. Mas isso é diferente de negá-los.

É lamentável que se pratique tamanho acinte contra a verdade, sejam quais forem os propósitos que moveram os autores do referido texto ou os que o encomendaram aos seus subscritores.

Agradeço muito a sua atenção.

Antônio Palocci Filho."

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