'No golpe em andamento, vale tudo', diz Vannuchi sobre inquérito contra Lula

/ Editor: José Alfredo | Agência Rede PT Ribeirão
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'No golpe em andamento, vale tudo', diz Vannuchi sobre inquérito contra Lula

Investigação aberta pela procuradoria da República contra suposta prática de lobby do ex-presidente em favor da Odebrecht é mais um lance para prejudicar a figura de Lula na disputa política

O inquérito que a Procuradoria da República no Distrito Federal abriu na quinta-feira (16) contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por suposto tráfico de influência em favor da construtora Odebrecht em Portugal e Cuba, é mais um episódio na tentativa de prejudicar o ex-presidente. “Não há mais dúvida de que está em curso um golpe contra a democracia no Brasil”, afirmou o analista político Paulo Vannuchi, em comentário hoje (20) à Rádio Brasil Atual.

 

  

Lula continua como principal liderança política no país, razão que tem despertado o ânimo golpista dos reacionários

 

“Mas o golpe desta vez não é com canhões e tanques de guerra. As forças armadas, como eu sempre disse, não avançaram no tema da memória da verdade, de abrir os arquivos e reconhecer sua culpa (dos crimes da ditadura), mas elas avançaram na compreensão constitucional de que as forças armadas não têm de se imiscuir nos assuntos dos três poderes da República”, disse, ao lembrar que golpes como o pretendido pelas forças conservadoras têm sido sistematicamente derrubados em países da América Latina, como a Bolívia e Venezuela.

 

“Por ora, o que aconteceu é que houve então uma apuração e referências a que Lula fazia pressão nas suas viagens internacionais em favor de empresas brasileiras, o que em quase todos os países despertaria aplausos unânimes, inclusive dos adversários partidários”, afirmou Vannuchi. “O papel do presidente Lula, como o de outros governantes, é sempre dentro da lei, das regras democráticas e institucionais de defender, sim, abertamente empresas brasileiras. Inclusive, como presidente, Lula fez isso muito bem, e fez melhor que Dilma”, disse.

 

Sobre o papel do Ministério Público nessa questão, Vannuchi afirmou que a Constituição de 1988 deu a esse órgão um poder independente “com funções amplas de investigação e sem controle vertical”. Mas o que está acontecendo, ele opinou, é um jogo para atacar a imagem do ex-presidente. “No golpe em andamento, vale tudo. Os próprios ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) estão intimidados diante do clamor popular manipulado pela mídia e sabem que se eles, por exemplo, mandarem o juiz Sergio Moro parar alguns de seus gestos de arbitrariedade e abuso de poder, imediatamente o Merval Pereira, o Jornal Nacional, a rádio Jovem Pan, a Veja vão promover o linchamento desse ministro do Supremo. ”

 

O controle do Ministério Público é realizado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, que chegou a fazer uma advertência para o procurador que atuava no caso. “Em seguida, o procurador advertido foi substituído por uma jovem procuradora, que está grávida, e ela disse que ficaria mais algum tempo, e despachou, escreveu, assinou que não havia fundamento para aquele inquérito e como não há fundamento, em vez de arquivar, ela diz que promove então uma apuração geral e pediu dezenas de informações ao Instituto Lula”, disse.

 

Segundo Vannuchi, o Instituto Lula apresentou os dados solicitados no último dia 8, véspera do prazo, mas ao protocolar a documentação, a defesa de Lula ficou sabendo que na véspera a procuradora havia se afastado por questão de saúde e um outro jovem procurador despachou, determinando a abertura de inquérito. “Um procurador que já recebeu uma advertência grave por passar muitos anos sem encaminhar inúmeros processos sob sua responsabilidade. Então, o jovem quis ter seu momento de glória, de que ele teve a coragem de fazer algo contra Lula que ninguém antes fez. ”

 

Esse enfrentamento, no entanto, para Vannuchi, está mais no campo da política do que da Justiça. “No terreno da política, o último gesto de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) é declarar mais abertamente do que antes de que está também participando do golpe. E no caso dele, ele quer participar do golpe para não ser preso, porque ele sabe muito bem o que já fez, as irregularidades em que se envolveu, então, é uma reação”, afirmou.

 

O analista diz que “o PT virou o bode expiatório" para todos os problemas. "E na política, a saída é com o povo trabalhador, defendendo as suas conquistas. E isso só vai acontecer se o povo trabalhador sentir que existe uma direção nacional, uma presidenta da República disposta a avançar nessa trilha e não na trilha de uma cartilha neoliberal que, como sabemos, traz danos crescentes para o próprio trabalhador. É na política que vamos ver a evolução desse processo todo. ”

 

Ouça o comentário de Paulo Vannuchi para a rádio:

  

 

 

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