Lula: Governo Temer deveria ser chamado de ‘vendedor’

/ Editor: José Alfredo | Agência Rede PT Ribeirão
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Foto: Ricardo Stuckert / Instituto Lula

Lula: Governo Temer deveria ser chamado de ‘vendedor’

O ex-presidente criticou a privatização do patrimônio e a proposta do governo golpista de Michel Temer (PMDB) de congelar os gastos públicos em saúde e educação

Em discurso que abriu o Congresso da IndustriAll Global Union, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou as privatizações que a direita planeja promover no país após o golpe contra a presidenta Dilma Rousseff.

 

“Aqui tem um governo que não deveria ser chamado de governo e sim de vendedor, que a única coisa que sabe fazer é vender o patrimônio brasileiro”, afirmou.

 

Para Lula, esses setores só têm compromisso em vender o patrimônio público e abdicam da responsabilidade de governar.  Lula também criticou os cortes orçamentários prometidos pelo governo golpista do Michel Temer, em especial a PEC 241,que congela gastos em saúde e educação.

 

“Não existe possibilidade de qualquer país do mundo crescer se o estado não tiver possibilidade de alavancar o seu desenvolvimento”, afirmou o ex-presidente.

 

O ex-presidente falou ainda sobre o golpe parlamentar contra a presidenta Dilma Rousseff e alertou sobre os retrocessos que o País está enfrentando.

 

“Uma mulher honesta não conseguiu governar o seu segundo mandato, porque uma direita chegou à conclusão de que era preciso evitar que essa mulher continuasse governando o país. Fizeram um golpe parlamentar e agora estão prometendo aos trabalhadores algumas coisas que serão um retrocesso extraordinário.”, concluiu Lula.

 

Cerca de 1 mil representantes de sindicatos do mundo todo e centenas de sindicalistas brasileiros se reuniram no Rio de Janeiro para debater a pauta e a solidariedade das lutas dos trabalhadores do setor industrial.

 

“Se a luta continua para mim, para vocês será umas 30 vezes para não permitir que o país viva um retrocesso”, reforçou.

 

No Brasil, lembrou que a indústria naval só tinha 2 mil trabalhadores quando ele chegou ao poder, e que foram gerados 82 mil postos de trabalho nessa indústria entre 2003 e 2014. Desde então, lembrou o ex-presidente, já foram perdidos 40 mil postos de trabalho. “Vocês não podem deixar que as nossas sondas e plataformas sejam produzidas na China e na Coreia.”

 

Lula lembrou que países desenvolvidos tem uma relação entre a dívida e o PIB muito mais alta que a do Brasil. E que isso foi feito porque os países investiram em seu próprio desenvolvimento.

 

“Vocês devem se preparar porque tem muita luta pela frente. A precarização do mundo de trabalho é uma realidade”, disse.

 

O ex-presidente também ofereceu uma “ajudazinha” na luta, já que o tema do Congresso é “A Luta Continua”. Para Lula, a situação não está fácil para o conjunto da classe trabalhadora. O estado do bem-estar brasileiro que começava a dar seus primeiros passos está em risco. “Comam 4 vezes por dia porque esse novo governo do Brasil vai exigir muito esforço, muita luta e muita gordura para resistir”, afirmou Lula.

 

Para Lula, é necessário colocar o pobre no orçamento, e chamar o trabalhador para conversar e governar. “O pobre do mundo tem que entrar em cena outra vez. Disse isso em Londres em 2009: se o mundo quiser sair da crise do sub-prime era preciso que a gente tivesse coragem para incluir os pobres”, disse.

 

“Todas as decisões do meu governo, o movimento sindical participava de forma decisiva. O Brasil não era meu, era do povo brasileiro, que tinha responsabilidade de me ajudar a decidir aquilo que a gente vinha a construir no país”, relembrou o ex-presidente.

 

No âmbito mundial, Lula afirmou que US$ 14 trilhões já foram para resolver o problema dos banqueiros, mas se metade dessa quantia tivesse sido utilizada para alavancar o desenvolvimento nos países mais pobres, o mundo não estaria vivendo a crise que está vivendo hoje.

 

“O que pensa o sindicato de qualquer país sobre sua economia?”, questionou. Lula afirmou que os governos se reúnem diariamente com banqueiros e empresários, mas nunca ouvem os sindicatos de trabalhadores em suas decisões. “Eles poderiam ter soluções mais eficazes que muitos economistas mestres e diplomas.”, disse.

04/10/2016- Rio de Janeiro- RJ, Brasil- Ex-presidente fará a abertura do evento da IndustriALL Global Union
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