Comemorações do Dia da Independência devem servir como reflexão, diz historiador

/ Editor: José Alfredo | Agência Rede PT Ribeirão
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Foto: Ichiro Guerra/PR

Comemorações do Dia da Independência devem servir como reflexão, diz historiador

Em entrevista à Agência PT de Notícias, o professor de história Márcio Nunes Gonçalves fez uma contextualização da proclamação da independência do Brasil nos dias atuais e reforçou necessidade do brasileiro em conhecer a história do país para não cair em retrocessos como a volta da ditadura

O professor de história da Universidade UPIS de Brasília (DF), Márcio Nunes Gonçalves, defende, em entrevista à Agência PT de Notícias, que os brasileiros devem aproveitar as comemorações do dia 7 de setembro, Dia da Independência, para fazer uma “reflexão” sobre o que é ser patriota e um cidadão consciente.

 

Ao analisar os avanços da política brasileira na última década, Gonçalves avalia a necessidade de uma revolução na educação do País para fortalecer o patriotismo dos brasileiros.

 

Para o historiador, o povo precisa “entender a história dos índios, do negro, do branco europeu” entre outros, para que a independência seja valorizada.

 

O professor contextualiza os avanços da economia brasileira em relação a independência proclamada em 1822 e nos dias atuais. Segundo Gonçalves, o Brasil conseguiu estabelecer uma importante relação de parceria com China, Estados Unidos e França, diferentemente de 193 anos atrás.

 

Para o Brasil fortalecer a independência, o historiador defende o combate a corrupção e sugere que não ocorra o golpismo no país.

 

Confira a entrevista na íntegra:

 

Agência PT­ de Notícias - Qual a expectativa o senhor faz a respeito das comemorações do dia 7 de setembro deste ano?

 

Márcio Nunes Gonçalves -­ O brasileiro deveria pensar neste dia sobre a importância de nós termos conquistado a independência, como Estado soberano. É preciso dar valor a isso.

 

Acho que existe hoje no Brasil um pensamento muito pessimista com relação ao nosso futuro, de que o país não vai dar certo, que é um país de corrupto, sem solução. O 7 de setembro deveria servir para fazermos uma reflexão.

 

AGPT – O brasileiro é realmente patriota?

 

Diante do cenário atual, pouquíssimos procuram resgatar esse sentimento patriótico. Existe uma lacuna entre o estudo, a educação do povo brasileiro e sua conduta. A gente desconhece a nossa história, nossos heróis e nossa luta e isso, acaba impedindo que muitos tenham esse sentimento de amor à pátria.

 

O resgate do patriotismo está dentro da revolução educacional. O caminho é fazer o povo entender a história dos índios, do negro, do branco europeu, dos primeiros que habitavam aqui, do Descobrimento, da Era Vargas e do regime militar. É preciso educar o povo, e não apenas ensinar para passar de ano.

 

AGPT – Como o senhor define um povo que comemora avanços políticos e sociais, mas pede a volta da ditadura no País?

 

Exigir o retorno da ditadura no país na atual conjuntura é obsceno. Um governo ditatorial é um governo de coerção, impositivo, que cerceia qualquer tipo de liberdade.

 

Então, cabe a essas pessoas um pouco mais de leitura do passado político do Brasil, da história do país. As pessoas estão pedindo a volta da ditadura sem saber na verdade o que aqueles que lutaram conquistaram, que foi a liberdade democrática.

 

A democracia é fruto da luta das pessoas, dos militantes que durante o regime militar lutaram arduamente para garantir a liberdade de expressão que temos hoje. Acho um retrocesso ir às ruas com cartazes e pedir o retorno do governo militar e ditatorial. É uma falta de leitura absurda da história do Brasil.

 

AGPT­ – Após quase dois séculos de independência como Estado soberano, quais outras independências o Brasil conquistou na última década?

 

Nas últimas décadas creio que o Brasil tenha avançado em alguns aspectos que foram significativos, por exemplo, no setor de agronegócios, de tecnologia, entre outros. Porém essas conquistas que conseguimos identificar no Brasil ainda não o tornaram capaz de competir em condições de igualdade com outras potências econômicas mundiais, mas ao mesmo tempo colocaram o país em uma situação relativamente confortável.

 

As relações de dependência que o Brasil tem agora, não são as mesmas relações de dependência direta que existia no século 19.

 

A independência na regência de D. Pedro tinha uma economia relacionada com grupos econômicos restritos, eram fazendeiros e havia uma pressão para independência do Partido Brasileiro.

 

Hoje o Brasil se relaciona economicamente com países como a China, os Estados Unidos, a França e procura fazer parte de blocos econômicos, então a situação é bem diferente. É lógico que nós temos ainda grande dependência com relação a determinados produtos, com as oscilações do mercado que interferem na nossa conjuntura econômica, o mercado de ações, como qualquer outro país que acaba não se vendo livre desses aspectos.

 

AGPT­ - Existe independência social no país?

 

O Brasil ainda apresenta um forte grau de desigualdade econômica em vários grupos sociais, mas a gente tem percebido, por exemplo, que nas últimas décadas, inclusive com o próprio governo do PT, tivemos alguns avanços do ponto de vista social, ganhos sociais das camadas mais excluídas.

 

Basta olhar os dados mais recentes do IBGE e comparar nas últimas décadas os avanços e ganhos sociais conquistados. Não só apenas em função dos programas sociais, mas houve uma política e a intenção de promover uma integração social, de inserção das camadas sociais em programas sociais.

 

É muito fácil estabelecer uma crítica a programas sociais, sem ter uma universalidade do país, sem ter uma visão mais grandiosa do Brasil. Fiz alguns trabalhos em áreas rurais e percebi os ganhos que as famílias passaram a ter por causa dos programas sociais do governo.

 

No aspecto social, o Brasil caminha para romper esse vínculo de dependência em função dos programas sociais.

 

Michelle Chiappa, da Agência PT de Notícias

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