Quando a Realidade bate à Porta

Foto: Arquivo público

Quando a Realidade bate à Porta

Na quinta à noite, um amigo que mora em um bairro de classe média alta de Belo Horizonte me relatou um panelaço enquanto Bolsonaro discursava sobre o coronavírus. Essa classe média, que se fascistizou, comprou ações na Bolsa com a crença de que com a vitória do capitão se tornaria conviva dos donos do dinheiro e poderia extrair altos rendimentos da especulação, quem sabe para, com o dólar barato, poder tirar fotos com o Mickey na Disney.  

 

Os capitalistas do país também acreditaram que Bolsonaro finalmente estabilizaria o país com um programa radical de transferência de renda dos pobres para os ricos através das chamadas reformas. O programa está sendo levado a cabo por Guedes e companhia – começou com Temer -, mas nada de estabilidade e crescimento. Ao contrário, nosso megalomaníaco ministro já admitiu essa semana que o país pode crescer novamente 1% este ano.

 

Rodrigo Maia disse, após reunião com Guedes, que o governo não possui qualquer proposta para combater os efeitos da crise econômica, agravada pelo coronavírus.

 

E quem acompanha a imprensa internacional pode observar um fenômeno raro: um quase consenso dos EUA à Rússia sobre os perigos econômicos do momento atual, além daqueles produzidos pela pandemia do coronavírus.

 

A realidade é que o mundo está novamente à beira de uma crise e recessão sem que ainda tenha saído completamente daquela iniciada em 2008.  

 

No Brasil, essa semana, a bolsa bateu recordes de queda. No ano passado, houve uma saída recorde de mais de 40 bilhões de dólares do país. O governo Bolsonaro usa as reservas acumuladas ao longo dos governos petistas, mas uma crise cambial já começa a compor a paisagem.

 

Os crentes começam a duvidar dos milagres, a perder a fé. A classe média que recomeça a bater panelas.

 

Chegou o momento em que a realidade declara: eu existo! E o governo Bolsonaro repete o que tem feito até momento: nada. Será que Guedes e o seu ultraliberalismo se sustentarão? Se isso ocorrer, é Bolsonaro quem se fragilizará em ritmo acelerado.  Sem investimento público o país continuará a afundar. As coisas só não ficarão piores porque ainda não houve tempo para que essa turma desmanche tudo o que foi construído por décadas, a começar do SUS, que é quem pode combater a disseminação do coronavírus.

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Jorge Roque é presidente do PT de Ribeirão Preto, advogado e cientista social Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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