Fábio Sardinha: Por um ensino médio libertador, rumo ao plebiscito

foto: reprodução/facebook

Fábio Sardinha: Por um ensino médio libertador, rumo ao plebiscito

 

Este ano deve ficar na história do magistério paulista. Diante da falta de planejamento e diálogo com professores, comunidade, estudantes e sindicato, São Paulo teve a maior greve da história do magistério paulista: 92 dias, 14 semanas. Professores e professoras, por meio da Apeoesp, desencadearam o movimento grevista em defesa de uma educação pública de qualidade, emprego e salário.

 

O governo de Geraldo Alckmin (PSDB), em São Paulo, no começo do ano, aumentou o seu próprio salário e de secretários, mas com relação aos professores não apresentou nenhum índice de reajuste. Acenou para julho, para apresentar algum índice, mas já estamos em setembro e nada. Mesmo após todo o movimento para abrir o diálogo e resolver os problemas da educação paulista, o governo insiste nesse estilo monólogo de governar, sem ouvir especialistas, comunidade escolar e a Apeoesp.

 

O governador sugere resolver os problemas apontados pela Apeoesp, como as salas superlotadas, a precarização nos contratos de temporários e a falta de condições de trabalho do professorado, reduzindo investimentos e suas responsabilidades curriculares – transferindo para os municípios a responsabilidade dos anos iniciais do ensino fundamental e para os alunos com a irresponsável reforma no ensino médio. 

 

Mais de 70 entidades ligadas à educação, no Fórum Estadual de Educação Paulista apresentaram uma proposta com 20 metas para o Plano Estadual de Educação. Mas, preservando seu estilo autoritário de não negociar com os professores da rede, por meio do seu secretário da Educação, Herman Voorwald, apresenta pela imprensa e pelo PL n°1083, de 2015, suas inclinações de alterar a organização curricular desta última etapa da educação básica, dando ao aluno a possibilidade de montar seu currículo nos 2º e 3º anos. 

 

Conforme noticiado pela imprensa, o governo informa que a reforma deverá ser implementada aos poucos, em algumas escolas, a partir do ano que vem, e em alguns momentos chegou até a defender a municipalização do ensino médio paulista.

 

Estamos passando por um momento rico de debates após a aprovação do Plano Nacional de Educação, que acena para investimentos na ordem de 10% do PIB para a educação e também para o fundo social, que destina recursos oriundos dos royalties do petróleo para educação, ciência e tecnologia, mas no Estado de São Paulo temos o contrassenso do que avançamos no Plano Nacional.

 

Nosso desafio é que qualquer alteração da grade curricular seja amplamente debatida, tanto no Fórum Estadual de Educação quanto com as entidades, Apeoesp, comunidade escolar, pais e estudantes, de forma democrática. Por isso, nessa chamada semana da Pátria, que vai do dia 7 a 13 de setembro vamos nos debruçar sobre esse debate através de um plebiscito proposto pela Apeoesp. No intuito de consultar a população sobre essas mudanças, queremos a opinião de quem está na escola pública e se essa mudança favorece quem nela está e precisa de um conteúdo mínimo, nos anos finais do ensino médio, para se destacar no ENEM e demais exames das universidades paulistas e federais. Do contrário, continuaremos fadados a uma educação cada vez mais bancária e jamais libertadora, como preconizava o grande educador Paulo Freire.

 

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