A importância do Diálogo Inter-Religioso na atualidade

Arte: Agência Rede PT

A importância do Diálogo Inter-Religioso na atualidade

“A religião não é 'conhecimento doutrinário',

mas sim sabedoria nascida da experiência pessoal.”

Martinho Lutero

 

Estamos vivendo em um momento de muita intolerância de todas as formas que se possa pensar, incluindo aqui a intolerância religiosa, onde estamos assistindo um governo agir e impor ideias com base na religião que seus componentes seguem, como se todos os cidadãos tivessem a mesma postura religiosa, ignorando completamente a diferença que é algo intrínseco na formação do povo brasileiro, pois somos uma grande mistura de raças e religiões, somos um grande caldeirão cultural, o que forma a nossa rica identidade brasileira.

 

A convivência de pessoas de religiões diferentes sempre foi uma realidade entre os vários povos das várias partes do mundo, inclusive as religiões sempre acabam tendo alguma influência umas das outras, por exemplo, o judaísmo teve influências das religiões de povos vizinhos ao hebreus, e dos povos onde os hebreus estiveram em cativeiro e escravidão, que por sua vez é a base do cristianismo que também teve influências de religiões pagãs como a romana, a grega, a persa, etc., assim como o islamismo tem influências do judaísmo e cristianismo. Mas também a intolerância, as guerras e as divisões sempre ocorreram entres as diferentes religiões e entre pensamentos diferentes dentro da mesma religião. Há diversas guerras religiosas que abalaram a humanidade e ainda abalam.

 

O diálogo inter-religioso é de extrema importância para que pessoas que aparentemente pensam diferente percebam que no essencial pensam bem parecido. Através do conhecimento da fé e da religião do outro podemos perceber as verdades em comum que compartilhamos, assim como aprendemos a respeitar as diferenças, que não são contraditórias, erradas, mas simplesmente diferenças, que na verdade não nos afastam e sim nos completam. Conhecer a fé do outro nos enriquece e nos ajuda a um autoconhecimento de nossa própria fé e religiosidade.  

 

Vivemos em um estado laico, onde uma religião em especial não pode sobrepesar seus conceitos particulares sobre todos como forma de lei, de regras, afinal somos um povo plural, mas os conceitos básicos e primordiais de todas as religiões com certeza estão contidos na política, que é diferente de politicagem, que vem a ser o bem comum, os direitos fundamentais da pessoa, o direito de pensar, a liberdade de consciência, a procura do bem comum, a preocupação com o próximo, a conservação da fauna e flora para a preservação de nosso planeta.

 

O Setor Inter-Religioso do PT tem a proposta de demonstrar que a política desenvolvida durante os quatorze anos que o partido esteve na condução do Brasil jamais foi contra os conceitos primordiais das religiões professadas pelo nosso povo, ao contrário trabalhou de forma harmônica com o conceito religioso em comum, pois defendeu os movimentos sociais, sempre defendeu o Estado Laico, criou ambientes de acolhimento e inclusão, trabalhou com conceito de levar a população a resolução de problemas dos mais variados, através de conselhos, congressos, conferências, defendeu a liberdade, igualdade e o direito do exercício da atividade religiosa de quem quer que fosse, defendeu os Direitos Humanos, combateu a intolerância religiosa, defendeu inclusive o direito da não crença, combateu a pobreza, levou a educação aqueles que nunca tiveram oportunidades, deu voz ao jovem, ao índio, ao negro, à mulher, trabalhou para que o povo tivesse acesso a direitos básicos como saúde, trabalho e moradia.

 

Essa mensagem é de extrema importância neste cenário em que vivemos tendo na direção de nosso país um governo com pensamentos antidemocrático, antissocial, sem diálogo, de perdas dos direitos básicos de cidadania, com a imposição da sua vontade a força e no uso maquiavélico da “religião” se aliando a “lideres religiosos” sedentos de poder que distorcem vergonhosamente os conceitos básicos do pensamento religioso chegando ao ponto de assistirmos uma escola de samba ter um discurso muito mais religioso do que grande parte dos “religiosos” que vemos, e exatamente de uma festa que alguns destes mesmos “religiosos” sempre condenaram, simplesmente por estar totalmente arraigada nesta nossa brasilidade da mistura, da miscigenação, da convivência do diferente, mas que não se repulsam, mas se completam. 

 

Se você pensa assim, deseja que estes conceitos básicos das religiões e de humanismo voltem a influenciar a nossa política, venha se unir a nós nesta luta.

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Bispo Ricardo Lorite de Lima, é coordenador do Setorial Inter-religioso do PT de Ribeirão Preto Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

Comentários (1)

Jair Fernandes

Lorite!
Eu concordo, mas, o estado é laico só na lei
Na prática o estado não é laico, basta entrar em qualquer repartição publicar, fórum, prefeitura, câmara municipal, a própria constituição evoca a proteção de deus no seu preâmbulo, ou seja, o estado não é laico