Os dilemas da avaliação governamental – 2ª parte – como entender o atual momento político de nosso governo

foto: reprodução/Tribuna

Os dilemas da avaliação governamental – 2ª parte – como entender o atual momento político de nosso governo

Como já dito no artigo anterior, o que diferencia um governo de esquerda com os demais não deveria ser a quantidade de obras e serviços realizados pela administração, uma vez que é dever de todos os governantes, pois foram eleitos para realizarem tais tarefas.

 

Na avaliação de um governo, dito de esquerda, o que deve preponderar é a qualidade das políticas públicas e empoderamento social do “jogo político” e do processo decisório da “agenda política”.

 

De que valeria um governo ter resultados satisfatórios do ponto de vista quantitativo, no oferecimento de obras e serviços, nas diversas áreas de políticas públicas, se elas não vierem acompanhadas de indicadores que atestem em que medidas tais realizações afetaram positivamente a qualidade de vida dos cidadãos, transformando suas realidades e levando-os a novos patamares de cidadania? Não foi com esse objetivo que surgiu o Partido dos Trabalhadores: operar dentro da institucionalidade, com vistas a buscar a transformação de nossa sociedade discriminatória e excludente, numa sociedade justa e igualitária?

 

Por essa razão não podemos almejar de nossas administrações apenas índices positivos de popularidade, aferidos em pesquisas de opinião; temos que buscar com que nossos governos, a despeito da necessidade concreta de ser bem avaliados por “tais pesquisas”, serem eficazes taticamente na condução política, com vistas aos nossos objetivos estratégicos.

 

Para isso, os critérios que deveriam nortear o processo de avaliação de nossos governos seriam:

 

a)   Em que medida o plano de governo atende aos objetivos estratégicos do Partido, lembrando que a administração não é um fim em si mesmo;

b)   Qual é o grau de envolvimento e a participação dos atores sociais na definição das políticas governamentais;

c)   Quem são os atores políticos que conseguimos envolver com nossa administração;

d)   Quais foram os canais institucionais criados que possibilitam uma radicalização da democracia participativa no processo decisório;

e)   Se a relação governante-governado possibilitou um empoderamento do processo decisório nas conquistas obtidas ou se elas foram momentâneas, suscetíveis a retrocessos com a possível troca de governo;

f)    O surgimento de novos atores sociais no jogo político;

g)   Indicadores que atestem a eficácia das políticas públicas no aumento da qualidade de vida dos cidadãos e que elevem seus padrões de cidadania;

h)   A identificação dos governados com seus governantes;

 

Em resumo: num processo de avaliação governamental deve se ter em mente a questão da formação da consciência política da população, que, se identificando com determinado projeto, estará sempre pronto a defendê-lo quando o mesmo estiver ameaçado.

 

Por mais que sejamos bem avaliados em determinado momento, que nossas políticas tenham beneficiados milhares de pessoas, a insatisfação pessoal é uma característica determinante da natureza humana numa sociedade capitalista e, portanto, suscetível a mudanças bruscas no comportamento, a partir do momento que tais conquistas se incorporarem ao seu cotidiano, levando-os a novas necessidades, que, se não satisfeitas, poderão alterar significativamente a avaliação do governo.

 

Esse sentimento de que o governo “pertence” ao seu povo é fundamental na avaliação de qualquer governante.

 

Nas avaliações sobre nossos governos (2003 a 2014), repetimos sempre que promovemos uma grande mobilidade social, introduzindo milhões de brasileiros como consumidores de nosso mercado interno, o que é uma verdade incontestável. Entretanto, uma pergunta que não quer se calar é: quantos desses milhões de consumidores tornaram-se cidadãos, de fato, conscientes de seus direitos e deveres na construção de uma sociedade justa e igualitária? Teriam eles a consciência de que a “melhora de vida” foi fruto de opções políticas de um governo hegemonizado por um partido de esquerda, ou creditam essa melhora ao sucesso de cada um dos brasileiros que ascenderam de patamar social, num esforço individual de sobrevivência numa sociedade competitiva, como apregoa os conceitos capitalistas?

 

Sintetizando a questão a ser por nós refletida: nesses doze anos de governo petista, em que situação tivemos mais êxito? Na ampliação de consumidores ou no crescimento de cidadãos?

 

Dessa resposta dependerá o sucesso do novo mandato da presidenta Dilma!

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