Coveiros da razão

Coveiros da razão

O instituto Datafolha acaba de divulgar os resultados de uma pesquisa segundo a qual 50% da população brasileira apoiam a ideologia repressivista traduzida no lema “bandido bom é bandido morto”.

 

Por coincidência, em Belo Horizonte, no velório de José Eduardo Dutra, ex-presidente do Partido dos Trabalhadores e ex-presidente da Petrobras, pessoas ainda não identificadas passaram pelo local e atiraram panfletos com a frase “petista bom é petista morto”.

 

É evidente que os autores desse ato de intolerância e radicalismo político, praticado contra a memória e contra a família do morto, associaram a pessoa do petista à figura do bandido e não se detiveram nem mesmo diante da morte e da dor.

 

Por que isso acontece

 

Difícil explicar. Não há explicação para a barbárie nem para o ódio. Eles não podem ser explicados porque representam exatamente a eclipse da razão e o fracasso do entendimento humano.

 

Mesmo um pensador iluminista como Voltaire, que apostava tudo nas possibilidades da razão, conseguiu definir a intolerância, o ódio e o fanatismo apenas como verdadeira “doença do espírito”, sem jamais explicá-los.

 

Todavia, se não podemos entender o ódio e a intolerância dos fanáticos, podemos ao menos refletir sobre as circunstâncias e pessoas que estão por trás e que até mesmo incitam a explosão desses comportamentos irracionais.

 

No último fim de semana, três grandes revistas brasileiras (Veja, Época e Istoé), coincidentemente, veicularam matérias de capa em que, falseando a verdade e manipulando fatos, buscaram nitidamente criminalizar os petistas e o líder Lula da Silva.

 

Até mesmo no dia de sua morte, enquanto muitos brasileiros lamentavam a perda de um homem que sempre lutou pela justiça social, a revista Veja (eletrônica) teve o acinte de publicar matéria ligando arbitrariamente José Eduardo Dutra ao escândalo da Petrobras.

 

Se matérias “jornalísticas” como essas não servem para informar os leitores, porque são vazias e panfletárias, servem decerto para gerar a atmosfera do ódio, da intolerância e do radicalismo político no país.

 

Se a razão humana não pode explicar o ultraje à memória do petista morto em Belo Horizonte, pode perfeitamente identificar aqueles que favorecem a explosão da barbárie, isto é, aqueles que agem como desprezíveis “coveiros da razão”.

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Antônio Alberto Machado, membro do Ministério Público do Estado de São Paulo e professor livre docente do Curso de Direito da Unesp/Franca-SP. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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