Antônio Alberto: Um milhão de dúvidas

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Antônio Alberto: Um milhão de dúvidas

O empresário da construtora Andrade Gutierrez, Otávio Marques, em delação premiada na Lava Jato, disse que havia doado 1 milhão de reais para a campanha de Dilma Rousseff pelo PT nas eleições de 2014 – mas é mentira. O empresário mentiu. Na verdade, ele fez essa doação ao PMDB, e a fez nominalmente a Michel Temer, e não ao PT – nem a Dilma Rousseff. É nisso que dá confiar em delator! É por isso que as delações são questionáveis, e o acordo entre Estado e criminoso será sempre um acordo problemático, duvidoso – pra não dizer suspeito.

 

A prova documental da doação a Michel Temer apareceu agora, no processo de cassação da chapa Dilma-Temer que tramita no TSE. A cópia do cheque nominal passado pela empreiteira ao senhor Michel Temer está correndo até na internet – quem quer que queira inteirar-se desse fato não precisa nem levantar da cadeira, é só dar um google e pronto – lá estará o cheque de 1 milhão em nome do Michel Temer que levanta uma porção de dúvidas sobre os métodos dessa controvertida operação Lava Jato.

 

A primeira dúvida: por que o empresário disse que doou ao PT quando na verdade ele fez doação ao PMDB e ao Michel Temer. A primeira resposta possível: os delatores da Lava Jato resolveram jogar toda a conta da corrupção apenas sobre os ombros do Partido dos Trabalhadores; a segunda resposta igualmente possível: a operação Lava Jato só aceita delações se for contra o PT.

 

Outra dúvida: se esse empresário mentiu – e foi premiado por sua própria mentira -, quantos outros empresários e delatores não terão mentido também, dessa mesma forma, para obter os benefícios que a operação Lava Jato distribuiu a corruptos, corruptores, espertalhões, delatores, e mentirosos de todo gênero? Como confiar nas delações da Lava Jato se esse caso da Andrade Gutierrez não é o único caso de delação mentirosa? – e todas elas contra o PT. Será que os delatores andam levando o pessoal da Lava Jato, e o todo-competente juiz Sérgio Moro, no bico? Ou o todo-competente juiz Sérgio Moro, e o pessoal da Lava Jato, querem ser levados no bico?

 

Mais uma dúvida: o senhor Michel Temer não declarou à Justiça Eleitoral essa doação de 1 milhão de reais que recebeu da Andrade Gutierrez? E não declarou por quê? Por que ela era ilegal? Ou por que era produto de propina? E por que o vice Michel Temer escondeu o valor e o nome do seu financiador de campanha? Será que ele queria esconder que estava recebendo dinheiro de empresas investigadas na operação Lava Jato ou era propina mesmo?

 

E agora: o juiz da Lava Jato, e os tribunais superiores, vão anular a delação mentirosa do empresário Otávio Marques? E vão anular também a pena daqueles que foram condenados com base nessa delação mendaz? E não será o caso de punir o delator mentiroso? E não seria também o caso de punir o vice Michel Temer que mentiu sobre a origem do dinheiro doado pela Andrade Gutierrez? E o TSE, vai cassar a chapa de Michel Temer por causa desse dinheiro de propina pago a ele na campanha de 2014?

 

Enfim, uma última perguntinha, como se a gente tivesse de fato alguma dúvida: alguém vai tomar qualquer providência nesse caso, em que a propina ao Michel Temer está documentalmente provada, ou vai ficar tudo por isso mesmo – elas por elas? Com a palavra, as autoridades competentes. Ah!… já ia me esquecendo. Com a palavra também os corajosos paneleiros – lembra-se? -, isso mesmo, aqueles que tanto queriam limpar o Brasil. Tá lembrado deles?

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Antônio Alberto Machado é advogado e professor livre-docente da Universidade Estadual Paulista, Unesp, campus de Franca. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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