Antônio Alberto Machado: Outra reportagem fajuta

foto: Brasil 247

Antônio Alberto Machado: Outra reportagem fajuta

É no mínimo indecorosa a última matéria de capa da revista Época, que circulou na semana passada com a irônica manchete NOSSO HOMEM EM HAVANA, sobre supostas manobras lobistas de Lula em favor da empresa Odebrecht que, por influência do ex-presidente, teria obtido empréstimos públicos privilegiados junto ao BNDES para a construção do Porto de Mariel em Cuba.

 

A referida “matéria jornalística” da revista Época não tem nada de jornalismo. É um festival de mentiras descaradas, suposições fantasiosas e conclusões arbitrárias a serviço da desinformação, com o indisfarçável objetivo de “desconstruir” a imagem de Lula da Silva, o grande adversário político da alta burguesia, do Grupo Globo e de toda a mídia burguesa em 2018.

 

Realmente, tal reportagem, se a podemos chamar assim, omite e distorce fatos, aplicando um grande estelionato em seus leitores; faz ilações sem nenhuma correspondência na realidade; comete calúnia ao afirmar que o ex-presidente da república praticou crime de “tráfico de influência” (art. 332 do CP) e, por fim, mente sem o menor pudor quando diz que o BNDES fez “empréstimos camaradas” à construtora Odebrecht.

 

Com efeito, a revista Época distorce os fatos e comete calúnia quando diz que o ex-presidente Lula é um criminoso “traficante de influência”. No caso do Porto de Mariel, Lula apenas utilizou o seu grande prestígio e indiscutível renome internacional para que empresas brasileiras assumissem a obra, promovendo com isso os produtos e serviços brasileiros no exterior, além de propiciar a integração latino-americana.

 

A revista Época faz ilações fantasiosas ao publicar que Lula começou a receber dinheiro de palestras, pagas pela Odebrecht, somente depois de viabilizar os financiamentos do BNDES para a obra em Cuba. Mas, a revista não aponta nenhuma relação entre as palestras de Lula e a obra do Porto de Mariel. Na verdade, Lula faz palestras muito bem pagas para várias empresas no Brasil e no mundo, inclusive para o Grupo Globo que edita a Época, tal como o próprio palestrante tornou público recentemente.

 

É mentira da revista Época que a Odebrecht obteve “empréstimos camaradas” do BNDES para fazer a obra em Cuba. Os empréstimos do BNDES são definidos tecnicamente, e no caso do financiamento para a construção do Porto de Mariel, segundo o sociólogo Marcelo Zero em sua coluna no jornal digital Brasil 247, o banco utilizou a taxa média bancária internacional (Libor) mais um spread (lucro bancário) de 3,81%, superior àquele utilizado na OCDE internacional – Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico.

 

A revista engana seus leitores quando diz expressamente que o BNDES passou a investir “centenas de milhões de dólares nas obras do Porto de Mariel”. Por força de lei, o BNDES não pode financiar governos nem empresas nem obras estrangeiras. Assim, o dinheiro do financiamento concedido à Odebrecht para a construção do porto cubano foi utilizado tão somente na aquisição de bens e serviços brasileiros, gerando milhares de empregos diretos e indiretos no Brasil.

 

Não é verdade, como diz a reportagem de Época, que o ex-presidente Lula fez todo o esforço diplomático e comercial para aproximar o Brasil de Cuba, visando a obra do Porto de Mariel e o financiamento do BNDES. Na verdade, enquanto presidente da república, e mesmo depois de deixar o cargo, Lula sempre fez todos os esforços para aproximar os países latino-americanos, não apenas Brasil e Cuba.

 

Por fim, para iludir ainda mais os seus leitores, como se tivesse praticado um “jornalismo investigativo”, a revista afirmou de forma sensacionalista que teve acesso exclusivo aos “documentos secretos” sobre as “manobras criminosas” de Lula em Cuba. É outra mentira. Esses documentos são apenas “sigilosos”, e a revista chegou a eles por força da Lei de Acesso à Informação, Lei nº 12.527/11, editada no governo de Dilma Rousseff.

 

Em suma, é um crime dizer que Lula da Silva pratica crime quando divulga o Brasil no plano internacional!

 

É realmente indecorosa (e fajuta) uma reportagem que busca criminalizar um ex-presidente da república por divulgar as empresas brasileiras e promover a venda de produtos e serviços nacionais no exterior, quando outros presidentes, ao invés de vender os nossos serviços e produtos no estrangeiro, acabaram é “vendendo” o próprio Brasil para os estrangeiros.

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Antônio Alberto Machado, membro do Ministério Público do Estado de São Paulo e professor livre docente do Curso de Direito da Unesp/Franca-SP. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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