Antônio Alberto Machado: O ódio e o perdão

foto: Brasil 247

Antônio Alberto Machado: O ódio e o perdão

(Eles se chamam José João Armada Locoselli‎ e Marcelo Maktas Melsohn; foram os dois que, no último dia 28 de junho, acompanhados das respectivas esposas, agrediram o ex-ministro Guido Mantega (dir.) no restaurante Trio, em São Paulo, chamando-o de "ladrão" e "palhaço", entre outros impropérios; agora, a dupla responderá pelos crimes de calúnia, injúria e difamação; caso sejam condenados, poderão ficar mais de um ano atrás das grades; ação conduzida pelo criminalista José Roberto Batochio (esq.) pede que os "boquirrotos e detratores" recebam a "pedagogia adequada"; iniciativa judicial do ex-ministro Mantega é um importante passo para conter a onda fascista que se alastra pela sociedade brasileira – Informações Rede PT Ribeirão).

O ódio e o perdão

 

Deu nas folhas e nas mídias que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, processou dois empresários que o insultaram publicamente num restaurante de São Paulo, chamando-o em altos brados de “palhaço” e “ladrão sem vergonha”.

 

O ex-ministro processou os dois homens pela prática de crime contra a honra (injúria, calúnia ou difamação) e os dois agressores, em face do processo criminal, resolveram voltar atrás e pedir perdão.

 

O episódio é burlesco, mas também é revelador.

 

É burlesco porque os agressores agiram de maneira ridícula, feito dois moleques impetuosos que não conseguem medir as consequências de seus próprios atos; e é revelador porque deixa evidente que há mesmo um ódio e uma intolerância muito grande em relação ao governo petista e às pessoas ligadas a esse governo.

 

De onde vem esse ódio e essa intolerância?

 

Difícil saber porque o ódio, qualquer ódio, é sempre uma manifestação de irracionalidade, portanto, algo que se põe fora do alcance da razão humana. É por isso que André Glucksmann (O discurso do ódio) defende a tese de que “o ódio acusa sem saber, julga sem ouvir e condena a seu bel-prazer”.

 

Foi exatamente o que fizeram com o ex-ministro Guido Mantega: os seus agressores acusaram-no sem saber por quê, julgaram-no sem ouvi-lo, e o condenaram apenas pelo desejo de ultrajar publicamente uma pessoa.

 

Tanto é verdade que os dois empresários, recobrando a razão e o juízo, voltaram atrás e um deles afirmou que agiu mesmo irrefletidamente, pois o ofendido é uma pessoa digna; o outro disse não saber nada que pudesse desabonar a vida pública do economista Guido Mantega.

 

Depois de admitir que agiram levianamente, depois de reconhecer que não tinham razão nenhuma para proferir os xingamentos que proferiram, passado o fiasco, os empresários agressores do ministro pediram perdão e o ministro… perdoou.

 

Pois é, um odeia e o outro perdoa. Mesmo assim ainda há quem diga por aí que a disseminação do ódio na política brasileira é simplesmente coisa e obra do Partido dos Trabalhadores… e dos petistas!

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Antônio Alberto Machado, membro do Ministério Público do Estado de São Paulo e professor livre docente do Curso de Direito da Unesp/Franca-SP. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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