Antônio Alberto Machado: Impeachment já!

foto: reprodução/YouTube

Antônio Alberto Machado: Impeachment já!

Pensando bem, mesmo que a representação do doutor Hélio Bicudo pedindo o impeachment da Dilma tenha sido um ato pessoal de ressentimento antigo contra o Lula e o PT; mesmo que essa representação tenha sido referendada por juristas de segunda linha; mesmo que esse seja o desejo das forças mais reacionárias do país, os petistas deveriam comemorar a possibilidade de afastamento imediato da presidenta.

 

De fato, governar um país continental (e de tantos contrastes) no momento em que o capitalismo atravessa uma de suas crises mais profundas; governar contra a campanha desonesta e implacável de uma mídia golpista; governar contrariando os interesses do rentismo insaciável e predador; governar enfrentando o preconceito e o ódio do “andar de cima”; e governar em oposição ao conservadorismo mais profundo da sociedade brasileira é um verdadeiro “barco furado”.

 

Num cálculo político, frio e maquiavélico, a melhor coisa que poderia acontecer à presidenta e ao seu partido seria deixar esse “abacaxi” nas mãos do Michel Temer e da oposição demotucana, pois, quando se instalar definitivamente o agravamento das crises (econômica, social, política e fiscal), quando o caos explodir nas ruas, o Partido dos Trabalhadores e seu líder máximo surgirão como a “alternativa” mais conciliadora – e já em 2018.

 

Seguindo esse raciocínio estritamente político-partidário, aliás, um raciocínio talvez até cínico e irresponsável, o melhor que poderia ter acontecido a Dilma Rousseff e ao Partido dos Trabalhadores, paradoxalmente, seria ter perdido as eleições de 2014 para a direita, então representada por Aécio Neves.

 

Em suma, já que algumas forças tão poderosas, e alguns pseudodemocratas, querem tanto revogar o resultado das urnas, o melhor seria mesmo entregar-lhes o poder juntamente com o ônus das crises econômica, política, social e fiscal, acrescidas agora também de uma “crise institucional” decorrente do impeachment forçado, imposto a uma presidenta da república eleita pela maioria do povo.

 

O problema é que até a próxima eleição em 2018 a direita neoliberal, no poder, já terá acabado de vez com o patrimônio do Estado brasileiro, vendendo a CEF, o Banco do Brasil, a Petrobras e a Eletrobras. E terá entregado também, ao capital estrangeiro, a nossa “joia da coroa”, isto é, a tão cobiçada exploração do pré-sal, que representa grande esperança de alcançarmos alguma soberania econômica – afinal, são 672 mil barris de petróleo por dia numa exploração que está apenas começando.

 

Não sei não, mas desconfio que esses golpistas e conservadores (nem todo conservador é golpista), bem como os pretensos democratas que querem salvar o país a qualquer custo, ainda acabam é dando o famoso “tiro no pé”.

 

Ou seja, acabam derrubando uma presidenta fragilizada, mas democraticamente eleita; acabam propiciando a dilapidação do patrimônio econômico e financeiro do Estado; e ainda por cima acabarão tendo de “engolir” novamente o Lula em 2018, que poderá voltar com a “bola toda” e nos braços do povo.

 

Hilário, não?

 

Mas, por incrível que pareça, a política tem mesmo dessas coisas. Só não sei se a nossa incipiente democracia e a instabilidade histórica do nosso arcabouço institucional aguentariam tanta reviravolta.

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Antônio Alberto Machado, membro do Ministério Público do Estado de São Paulo e professor livre docente do Curso de Direito da Unesp/Franca-SP. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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