Antonio Alberto: Arrogância, maldade e traição

Antonio Alberto: Arrogância, maldade e traição

O jornal Folha de S. Paulo sempre desfrutou da fama de ser independente, democrático e imparcial. Adotando a defesa abstrata de valores como o pluralismo, a liberdade de expressão e a diversidade de ideias, a Folha sempre apregoou a própria virtude de abrir espaço aos articulistas e intelectuais dos mais diversos matizes político-ideológicos – inclusive aos progressistas de esquerda.

 

Não obstante esse pluralismo e sua autoproclamada “neutralidade política”, não é segredo pra ninguém que a linha editorial da Folha de S. Paulo, apesar da retórica aparentemente progressista e imparcial, sempre optou, à direita, pela defesa dos valores clássicos do liberalismo capitalista – e nem poderia ser diferente.

 

Todavia, em seus dois últimos editoriais, nos dias 13 e 14 de setembro, o jornal paulistano extrapolou, desceu mesmo do muro e resolveu apelar para a arrogância política, para a perversidade social e para um antinacionalismo explícito e traidor.

 

No editorial de capa do dia 13.09.15, intitulado “Última chance“, de forma arrogante e presunçosa, a Folha de S. Paulo se autoconcedeu o poder supremo de dar à presidenta da república Dilma Rousseff uma espécie de ultimato: ou faz as reformas que o iluminado jornal considera necessárias para o país ou abandona suas “responsabilidades presidenciais e o cargo que ocupa”.

 

No mesmo editorial, a empresa da família Frias abandonou decididamente a sua pretensa imparcialidade e assumiu a defesa explícita das políticas neoliberais, exigindo sem sutileza nenhuma (como costumava fazer até há pouco) o perverso corte de gastos na previdência, na saúde e na educação que penaliza duramente a classe trabalhadora.

 

No dia seguinte (14.09.15), a Folha publicou novo editorial, desta vez sob o título “Operação de guerra”, pintando um quadro negativo e falacioso acerca da situação financeira da Petrobras para justificar e propor, também explicitamente, que a nossa petroleira entregue a exploração do pré-sal ao setor privado.

 

Em que pese a arrogância, a insensibilidade social e o declarado compromisso com os interesses do capital (inclusive estrangeiro), desta vez a Folha de S. Paulo foi honesta. Agora, pelo menos, o jornal mostrou a sua verdadeira face e deixou de vender a falsa imagem de um jornalismo independente, imparcial, comprometido com a democracia e com os interesses nacionais.

 

Com esses dois editoriais emblemáticos cai definitivamente a máscara da Folha de S. Paulo. O seu lado (ou trincheira política) agora está mais claro do que nunca: trata-se de um jornal partidário que combate o Partido dos Trabalhadores; trata-se de um adversário explícito das classes populares; e os seus compromissos são mesmo (como já se sabia) com o grande capital privado, nacional ou estrangeiro.

 

Depois dessa, o melhor que fariam os Frias era mudar logo o inadequado slogan da empresa: Folha de S. Paulo – um jornal a serviço do Brasil!

 

Em resumo, parece que o Grupo Folha começa a abandonar de fato a retórica mistificadora da imparcialidade, do pluralismo e da neutralidade política, aliás, coisas que só serviam mesmo para iludir os “inocentes midiáticos” ou “embalar o sono dos bois”.

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Antônio Alberto Machado, membro do Ministério Público do Estado de São Paulo e professor livre docente do Curso de Direito da Unesp/Franca-SP. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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