A maldade do Chico Buarque

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A maldade do Chico Buarque

O cantor, compositor e escritor Chico Buarque é um gênio, é um talento indiscutível, talvez até uma unanimidade nacional. Ninguém duvida e ninguém contesta. Além disso, ele parece ser uma pessoa suave, educada, lhana – um verdadeiro gentleman, talvez.

 

Mas, nesta semana, assim que foi abordado por três ou quatro garotões na saída de um restaurante no Leblon (Rio de Janeiro), o cantor Chico Buarque foi de uma truculência e de uma maldade fora do comum.

 

Começa que os garotos, com pouco mais de vinte anos (ou nem isso, não sei), perguntaram-lhe o que era uma pessoa que apoia o PT (Partido dos Trabalhadores). E o Chico Buarque, valendo-se de uma ironia injustificável, disse-lhes que uma pessoa que apoia o PT é “um petista”.

 

Inconformados com essa resposta óbvia e irônica, os garotos disseram-lhe que “petista é bandido e é merda”. E disseram mais: disseram ainda que o próprio Chico Buarque era “um merda”.

 

Aí começa a grande maldade do Chico. Sem alterar a voz, com um sorriso nos lábios, como se fosse um verdadeiro “paizão” e como quem não quisesse nada, o cantor passou a perguntar os nomes dos mancebos.

 

Sem malícia e sem experiência nenhuma, os pimpolhos do Leblon entregaram os seus nomes, caíram “que nem pato na lagoa”. Com isso, foi possível identificar que um deles era filho do playboy Álvaro Garnero, e o outro era neto de um grileiro, matador de índios e explorador de mão-de-obra cativa nos anos da ditadura militar.

 

A partir daí, a imprensa livre (não a canalha) fez o resto.

 

Escarafunchou e descobriu que o tal filho do Álvaro Garnero andava por aí agora há pouco na noite carioca, sem ocupação, tietando e até beijando o ex-jogador Ronaldo Fenômeno; e descobriu também que o outro garotão era um rapper iludido, que não tinha a menor ideia de que seu avô havia sido um sanguinário explorador de trabalho escravo.

 

Não bastasse essa execração pública dos bacaninhas do Leblon, o cantor e compositor Chico Buarque foi para a sua página no facebook e postou a letra de uma de suas músicas em que um dos versos diz exatamente o seguinte: “vai trabalhar, vagabundo”.

 

Não se faz isso com rapagotes indefesos e inexperientes. Não se faz isso com moleques borrachos e deslumbrados na noite. É muita maldade. Acho até que esse Chico Buarque foi de uma maldade descomunal.

 

Mas é um gênio, hein?!

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Antônio Alberto Machado, membro do Ministério Público do Estado de São Paulo e professor livre docente do Curso de Direito da Unesp/Franca-SP. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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