A Cultura de Ribeirão pede socorro

/ Por Agência Rede PT Ribeirão

Foto: Carlos Natal

A Cultura de Ribeirão pede socorro

Alguém já disse, apoiado no senso comum, que onde não há cultura, a violência é o espetáculo

Ao ler o informativo produzido pela Prefeitura de Ribeirão Preto, que tenciona prestar contas do que foi feito pela administração do PSDB, temos a nítida impressão de se tratar da melhor cidade do interior paulista para se viver. No entanto, ao examinarmos detalhadamente a peça publicitária, constatamos que não passa de uma peça de ficção, principalmente no que diz respeito à Secretaria Municipal da Cultura.

 

Nesse caso, o informativo trata quase que exclusivamente de eventos previstos em lei, ou seja, são eventos permanentes, que compõem um pequeno conjunto de celebrações, e que devem ser realizados obrigatoriamente. Portanto, somente a qualidade de sua realização, não realização em si, podem ser capitalizadas pela atual gestão, pois, só aconteceram porque não havia outra saída, são eles:

1. 26º Encontro Nacional de Folia de Reis;

2. 24º Festival Tanabata;

3. 49º Romaria de Nossa Senhora Aparecida.

 

O restante fica por conta de enunciados genéricos sobre oficinas culturais, recebimento de propostas de ocupação do Teatro Municipal, Natal e a informação de que o Theatro Pedro II foi, finalmente, entregue à cidade, pois, até o ano passado, seu prédio pertencia ao Governo do Estado de São Paulo.

 

A novidade ficou por conta do 1º Festival de Cultura Caipira sobre o qual não há informações, a não ser a de que aconteceu. No informativo, ao final dessa matéria, o leitor poderá conferir essas informações, além do restante da prestação de contas.

 

Importante ressaltar que já é o segundo ano de administração da cidade, portanto, não cabe a velha retórica do “estamos colocando ordem na casa”, pois, está claro para a população que a casa está mal arrumada e que a Casa da Cultura está abandonada. Mais que isso, nosso patrimônio arquitetônico e museus estão abandonados, como já comentei em matéria anterior (http://redept.org/secretarias/cultura/museu-do-cafe-um-incendio-nao-sera-acidente).

 

Chico Buarque vaticinou, em relação ao fim do MinC: “Com esses ministros, é melhor não ter Ministério da Cultura. Não podemos transpor para o universo municipal de nossa cidade ipsis litteris o enunciado do Chico Buarque, mas, no limite, é melhor não ter uma Secretaria da Cultura do que tê-la apenas para dar gastos de pessoal, insumos para escritório, material de limpeza, combustível, energia elétrica, entre muitos outros, que não estão justificando, por si só, a existência da pasta.

 

É preciso que se diga que quem faz cultura, atualmente, em Ribeirão Preto, é a iniciativa privada, é a juventude, no Armazém da Baixada, n’A Coisa, na Fábrica de Extintores, na Casa das Artes, na UGT, enfim, em lugares onde felizmente os tentáculos da administração municipal não alcançam.

 

A Capital da Cultura de Cana está fazendo jus à paródia de seu título, na administração do ex-Secretário de Estado da Agricultura. Nesse caso, o espetáculo seria a queimada da cana ou o aumento da violência nas ruas?

 

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