Zé Dirceu faz chamado à luta em Ribeirão Preto

/ Por Agência Rede PT Ribeirão

Foto Ana Favaretto e vídeo Open Produções

Zé Dirceu faz chamado à luta em Ribeirão Preto

A obra é vista pelo petista como uma forma de defender o legado do partido e do ex-presidente, que está preso em Curitiba. Para Dirceu, a prisão de Lula é injusta e sua condenação foi um processo político, “de exceção”

Após 16 anos, desde a última campanha para deputado federal em 2002, José Dirceu voltou à calorosa Ribeirão Preto para o lançamento do primeiro volume de seu ‘Memórias’, nesta quarta-feira (27). A noite de autógrafos lotou o Auditório José Carlos Sobral do Centro Cultural Newton Mendes Garcia no Diretório Municipal do município.

 

Muito aplaudido, emocionado com o calor da militância e, de voltar ao lugar onde, se julga parte, além de cultivar muitos amigos e familiares disse:

 

“Não se trata apenas do PT, da política, da luta... são nossas vidas. Eu me considero parte de vocês, principalmente da região de Ribeirão Preto”...

 

Lideranças, militantes, fundadores do PT, jornalistas e estudantes ouviam atentos as análises históricas do ex-ministro e das semelhanças entre o atual momento do País e os movimentos que levaram ao golpe de 64. O coordenador do Núcleo David Aidar, Jorge Roque; o próprio David Aidar com seus quase 90 anos; o casal de artistas Rose e Leopoldo Paulino; e, o presidente do PT, Fernando Tremura, abriram o evento.

 

Em pouco mais de uma hora, o líder histórico do Partido dos Trabalhadores falou sobre democracia, economia, e qual será o papel do partido e da esquerda no enfrentamento desses anos sombrios que já estamos vivendo.

 

Confira os principais trechos:

Lula e o legado do PT

Se o caso do ex-presidente já era preocupação internacional, não há mais dúvidas que a prisão de Lula é política. Dirceu defende que a condenação seja anulada.

 

“Todos os dias, quando acordo, lembro-me que o Lula está preso”, diz.

 

Dirceu elogiou a campanha de Haddad, que multiplicou as intenções de voto em pouco mais de vinte dias.

 

“Nosso projeto empoderou a classe trabalhadora, não só com renda, mas com poder político e cultural. Fizemos uma distribuição nunca vista na história desse país. Lula iria integrar economicamente a América do Sul”

 
Resistência e oposição política

Dirceu lembra que o levante social contra as incoerências econômicas e o ataque à liberdade é que levaram ao endurecimento do regime.

 

“Começou mesmo como golpe, mas só se transformou naquilo depois. Eles perderam uma eleição em 66 e foi dali em diante a ditadura extinguiu partidos, acabou com as eleições e iniciou a escalada que culminaria no AI-5”.

 
A ameaça Bolsonaro

O governo de Jair Bolsonaro (PSL) é militar, com alguns civis, e a liberdade das pessoas está em jogo. Mas o país está percebendo os problemas.

 

“Esse governo é um governo militar, com civis. É só observar, gabinete do presidente é militar, o Palácio do Planalto é militar, os ministérios da Infraestrutura e Ciência e Tecnologia, o controle sobre a Educação e Relações Exteriores, estão desconstituindo os poucos civis que ficaram na Educação e não eram militares. Relações Exteriores é pior, é da família Bolsonaro”, disse.

 

Para o ministro, é a liberdade dos brasileiros que está em jogo, mas o país percebeu ainda no ano passado que Bolsonaro não é o melhor para o país. Citou discurso inflamado do presidente na avenida Paulista, uma semana antes da eleição, e a não ida do presidente nesta quarta à Universidade Presbiteriana Mackenzie como exemplos.

 

“É a liberdade que está em jogo. Se vocês perceberem, os jovens e as mulheres já perceberam. Há no país um sentimento claro que começa a se mover, como se fosse um vulcão que vai começar...”, disse o petista.

 

Para Dirceu, o cancelamento da ida de Bolsonaro ao Mackenzie nesta quarta é de um “simbolismo fantástico”.

 

O simbolismo a que se refere Dirceu é em relação ao histórico confronto entre grupos de estudantes do Mackenzie e da USP na rua Maria Antônia, que em 2018 completou 50 anos.

 

Dirceu disse ainda, a uma plateia formada por mais de 200 pessoas na sede do diretório do PT em Ribeirão Preto, que as pessoas não devem se iludir com o caráter “autoritário” do governo. 

 

“Não vamos nos iludir sobre o caráter autoritário desse governo, que ameaça a liberdade dos brasileiros e brasileiras. Não vamos nos iludir com as Forças Armadas, são conservadores. Eles estão comprometidos com esse governo e vão comemorar o dia 31 de março.”

 

O lançamento foi acompanhado por petistas da macrorregião de Ribeirão, como o ex-ministro (Comunicação Social) Edinho Silva, prefeito de Araraquara (a 273 km de São Paulo), além de ex-prefeitos, a deputada estadual do PT Márcia Lia, vereadores e integrantes de movimentos como o MST e de Luta pela Moradia, sindicatos e movimentos sociais.

 

Desde agosto, Dirceu já apresentou a obra em cidades como Belo Horizonte, Porto Alegre, Fortaleza, Goiânia e Teresina, entre outras capitais.

 

O livro é dedicado ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e foi escrito no período em que ele esteve na prisão. Dirceu foi solto pelo STF (Supremo Tribunal Federal) em junho.

 

Confira o vídeo na íntegra:

 

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Comentários (1)

Sergio Eduardo Rudge Bortoli

Estavamos lá e foi um momento histórico para os militantes da Esquerda de Ribeirão Preto e Região!!!!!