Professor fala sobre desafios de projeto com crianças carentes

/ Por Agência Rede PT Ribeirão

Foto: Murilo Corte / ME

Professor fala sobre desafios de projeto com crianças carentes

Dalton de Souza Amorim desenvolve trabalho na escola Sathya Sai, em Ribeirão Preto, que luta para não fechar salas

Escola da vida


Professor da USP de Ribeirão Preto, Dalton de Souza Amorim, 58 anos, vai muito além da educação ministrada na faculdade. O biólogo viu nascer na cidade, em 2002, a escola de educação infantil Sathya Sai, fundada por Sai Baba e que hoje tem unidades espalhadas pelo mundo todo. Seu compromisso com o projeto direcionado a crianças carentes e que traz um ensino focado em valores humanos, é desafiador, pois vem batalhando para não fechar algumas salas de aulas. A escola, localizada no bairro Jardim Florestan, é mantida por doações. Leia a seguir: 

 

Giro - Como começou sua ligação com a Escola Sathya Sai?

Dalton de Souza Amorim - Em 1996, visitei o ashram [eremitério] de Sathya Sai Baba, na Índia, e conheci as escolas e os alunos das escolas que o Sai Baba fundou. Eles são impressionantes. Eles têm uma mistura de jovens tranquilos, amistosos e bem humorados, com determinação, profundo respeito, disciplina pessoal e dedicação. Essa combinação é possível. Em 2000, em um congresso de educação no ashram, vários educadores de Ribeirão ficaram tão entusiasmados com o que viram que pediram que tivéssemos uma Escola Sathya Sai. Pedimos orientação ao próprio Sathya Sai Baba, que era vivo à época, e começamos a trabalhar.

 

Qual é o maior desafio na escola?

No começo, conseguir, dentro desse bairro, desta cidade, deste país, com aquela comunidade, implementar o Programa de Educação em Valores Humanos. Atualmente, o maior desafio da escola é a sustentabilidade financeira. Estamos com um risco grave de precisar fechar as salas dos 6° ao 9° anos por limitações financeiras. Precisamos desesperadoramente de apoio.

 

Qual o custo mensal?

O custo total projetado para 2016 é de cerca de R$ 1.650.000, o que significa cerca de R$ 560/aluno/mês. Esse custo é menor que o de escolas públicas, ou seja, temos conseguido trabalhar com um orçamento muito enxuto e com excelente qualidade. As fontes da escola são, atualmente, a Fundação Waldemar Barnsley Pessoa, do Grupo São Francisco (11% do custo anual), convênio com a Secretaria Municipal da Educação (12,5%) e bolsas para alunos doadas por um número importante de pessoas jurídicas e físicas (25%). Mas cerca de metade do custo é coberto por uma ou poucas pessoas, que têm feito um enorme aporte anual para manter a escola funcionando.

 

Hoje tem fila de espera? Quantas crianças? 

Sim, a escola hoje tem uma lista de espera para suas 11 séries, com cerca de 300 crianças. A lista é uma medida da confiança que a comunidade tem na qualidade do projeto da Sathya Sai.

 

Com essa crise toda, como estão as doações?

Temos tido uma grande compreensão das pessoas e empresas que financiam as bolsas da escola, que em sua grande maioria têm, inclusive, corrigido o valor nominal de suas doações. Ainda assim temos esse déficit mensal enorme e precisamos de novos parceiros. A escola tem todas as certificações necessárias - além de aditamento anual de suas contas por empresa especializada - para receber 2% do imposto de renda de empresas no sistema de lucro real.

 

Por que a Sathya Sai é uma escola diferente?

Não sei se essa é a melhor maneira de colocar a questão. O que a escola procura fazer é efetivamente colocar em prática o que seja a Educação. Sathya Sai Baba dizia que a educação é como uma ave: uma asa é a do conhecimento acadêmico; outra é a do desenvolvimento humano. A maior parte das escolas se sente muito pressionada a conseguir resultados estritamente acadêmicos, deixando a formação humana em segundo plano ou retirando completamente do projeto escolar o elemento interior ou pessoal. É impressionante a mediocridade dos tempos atuais, que tomam a atuação docente como simples e trivial.

 

As escola públicas e privadas teriam facilidade de seguir esse modelo?

Boa pergunta. Depende do que seja o eixo central do projeto da escola, a visão e a missão. Mas não a missão escrita no papel, aquela por trás das orientações e da ação por trás de todo o trabalho. De fato, muitas escolas públicas, apesar de uma imagem negativa generalizada, têm um projeto de formação humana muito especial. Seus professores trabalham em situações bastante adversas e, ainda assim, conseguem uma transformação excepcional

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