Galeno ganha na Justiça e Estado deverá pagar indenização

/ Por Agência Rede PT Ribeirão

Foto: Arquivo RedePT

Galeno ganha na Justiça e Estado deverá pagar indenização

Imagens mostraram major da PM agredindo Galeno Amorim em 2016, durante reintegração de posse da Fazenda Experimental

O governo estadual foi condenado a indenizar o jornalista Galeno Amorim por danos morais, após ele ter sido algemado por policiais militares na ação de desocupação de trabalhadores do Movimento Sem Terra (MST) na Fazenda Experimental de Ribeirão Preto em julho de 2016.

 

No pedido de indenização feito à Justiça, o jornalista afirmou que "foi deixado dentro da viatura, com portas e vidros fechados, sem qualquer ventilação, algemado com as mãos para trás, por mais de uma hora".

 

A juíza da1ª Vara da Fazenda de Ribeirão Preto, afirma na sentença, publicada na segunda-feira passada (21), que "houve ofensa à integridade moral, consistente na molestação da honra subjetiva do autor, quando foi mantido algemado, sem que houvesse justificativa para tanto".

 

Imagens à época mostraram o coordenador operacional do 51º Batalhão de Polícia Militar do Interior (BPMI), agredindo covardemente Galeno quando ele tentava entrevistar integrantes do MST.

 

Em seguida, o policial agarra seu pescoço, torce seu braço e, com a ajuda de colegas, o algema. Galeno foi colocado no camburão de uma viatura e levado até a Central de Flagrantes.

 

Galeno aponta, na ação, que "foi conduzido ao plantão em velocidade extremamente baixa, com claro objetivo de aumentar o sofrimento do autor, bastando analisar o horário da prisão com o horário que chegou ao DP ou que foi ouvido".

 

Galeno diz que após ficar uma hora dentro da viatura foi levado para dentro da delegacia, mas apenas duas horas depois suas mãos "foram algemadas na parte da frente do corpo", possibilitando que ele se alimentasse.

 

Antes disso, conta, pediu para que os policiais comprassem um lanche com seu dinheiro, já que é diabético e poderia sofrer uma crise de hipoglicemia, mas eles se recusaram a atendê-lo.

 

Segundo Galeno, ao se aproximar da área da ocupação do MST, o major da PM, "demonstrando total descontrole, aos gritos disse para que sumisse e que ao terminar de contar até três, seria preso. Em seguida começou a contar, em menos de três segundos, um, dois, três! O senhor está preso por desacato".

 

'Houve abuso'

Galeno afirma que irá recorrer da decisão, por considerá-la "insuficiente". Na petição, ele havia solicitado R$ 40 mil de indenização.

 

"É importante que o Estado seja condenado, mostra que seus agentes não podem agir impunemente. A Polícia Militar precisa ter respeito não só com os jornalistas, mas com todo o cidadão. As imagens são claras e contundentes, houve abuso de autoridade. E isso não foi levado em consideração na sentença".

 

Galeno tem 56 anos, dos quais 41, segundo ele, são dedicados ao jornalismo. Ressalta que por 17 anos trabalhou no grupo do jornal O Estado de São Paulo e já foi diretor do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo.

 

"Eu estava cobrindo a reintegração pelo meu blog, que tem 11 anos de existência e 220 mil visitantes únicos nesse período. A juíza, ao apontar que eu não portava crachá de jornalista, desqualifica os blogs e todos os veículos independentes".

 

Ele já presidiu a Fundação Biblioteca Nacional entre 2011 e 2013 e é uma das principais lideranças do PT (Partido dos Trabalhadores) de Ribeirão Preto. Foi secretário municipal de Cultura entre 2001 e 2004, na segunda gestão de Antonio Palocci à frente do Palácio Rio Branco.

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Comentários (2)

José Alfredo Carvalho

Caro César, inicialmente o ganho da Causa fora de 5 mil reais. Na petição e no recurso o valor soma 40 mil. Obrigado pela sua participação e interesse...

Cesar

Qual foi a indenização estipulada e que sanção sofrerá o brucutu acéfalo?