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Freixo quer Lula preso e união com Tabata Amaral para sustentar governo Bolsonaro

No último período aprofundou-se a política de setores da esquerda pequeno-burguesa de tentar estabelecer um acordo com determinadas alas da direita golpista. Isto ficou abertamente escancarado no 1º de maio, por exemplo, na política de “unidade” com as centrais sindicais e os políticos golpistas, como a Força Sindical e o próprio Paulinho da Força. Nesta semana, mais uma declaração deixou às claras essa política. Trata-se da entrevista do deputado Marcelo Freixo (PSOL-RJ), ao jornal El País.

Freixo revelou-se, durante a entrevista, um dos principais porta-vozes da política de acordo com a direita golpista. Por traz deste acordo, como não poderia deixar de ser, estão os interesses eleitoreiros destes setores da esquerda pequeno-burguesa, em um momento em que o País caminha para um regime de terror aberto contra a população, com o massacre do povo pobre nas periferias e o fim de todos os direitos.

A política oportunista e eleitoreira de Freixo já havia sido anunciada no início do ano, quando o deputado do PSOL chegou a declarar que a palavra de ordem “lula Livre” não servia para unificar a esquerda. O que ele queria dizer na verdade é que a luta pela liberdade de Lula era e é um obstáculo para unificar estes setores de esquerda, os quais querem abandonar completamente a luta contra o regime golpista em nome de uma política de conciliação com uma ala direitista no seu interior, como o PDT e o próprio PSDB.

Na entrevista de Freixo isto ficou comprovado. O deputado logo no início de sua entrevista faz propaganda eleitoral de seu nome para as eleições municipais do próximo ano. Enaltece a sua suposta popularidade pessoal, e de que estaria articulando um amplo campo “progressista” para dar apoio a sua candidatura. O que logo de cara é uma comprovação de que o interesse destes setores de esquerda é pura e simplesmente eleitoral, não há qualquer interesse em fazer um luta contra o avanço da extrema-direita e do próprio golpe de estado, a esquerda pequeno-burguesa já está fazendo os cálculos ilusórios para eleições fraudulentas do próximo ano.

Em nome das eleições, vale-tudo, inclusive se aliar com golpistas, apoiadores da “reforma” da Previdência, da prisão de Lula e do golpe na Venezuela. Entre os apoiadores de Freixo está, por exemplo, o PDT do ex-presidenciável Ciro Gomes e da deputada Tabata Amaral (SP). Freixo diz que está se esforçando muito para conquistar o apoio do PDT para sua candidatura, tece uma série de elogios à pupila do golpista Ciro Gomes, apontada como possível candidato do seu partido, em São Paulo. Freixo afirma que ela é uma excelente deputada, que busca o diálogo, que é “muito preparada e tecnicamente diferente”

Nas últimas semanas, a imprensa golpista tem dado destaque para Tabata Amaral – “treinada” e patrocinada por grupos imperialistas de direita – como sendo uma possível “nova liderança” dos setores ditos de esquerda contra o governo Bolsonaro. Trata-se da velha estratégia da burguesia e da imprensa golpista de dar cartaz para determinados políticos, que na realidade não passam de verdadeiros golpistas, mas que conseguem se fantasiar de esquerdistas por um período para enganar os incautos. Foi assim com o próprio Ciro Gomes. Durante um longo período, dotado de um discurso puramente demagógico contra a direita, Ciro Gomes posou para as fotos como alguém que representaria determinados setores de esquerda e progressistas. Fato é que a fantasia não perdurou por muito tempo e Ciro, na medida que se aproximavam as eleições de 2018, escancarou o que ele realmente é: um golpista, um abutre, um direitista como qualquer outro que teve como função confundir a esquerda.

Assim como seu mentor, Tabata já revelou seu jogo e sua verdadeira face. Declarou que apoia a “reforma” da Previdência, assim como a prisão de Lula e o golpe contra a Venezuela, posou para foto ao lado de Dória, com que se reuniu para debater propostas, deixando escancarado a quais interesses ela serve. Para esquerda-pequeno burguesa, no entanto, como é o caso de Marcelo Freixo, em primeiro lugar está a conquista de um cargo público, ou seja, em primeiro lugar está o seu próprio interesse pessoal, a luta das massas contra a direita, tendo como base um programa e um princípio político, está em último lugar.

A busca por um acordo com os golpistas em nome das eleições do próximo ano já havia sido anunciado por outro elemento deste setor da esquerda, Guilherme Boulos. No ato de 1º de Maio, em São Paulo, Boulos lamentou a ausência de Ciro Gomes na manifestação e defendeu a construção de uma “frente ampla”, com ele e outros setores golpistas. A declaração de Boulos deixou transparecer a unidade que está se formando entre a esquerda pequeno–burguesa e a direita golpista.

Esta política de acordo deve ser denunciada como uma política que terá como resultado desarmara a reação dos explorados e suas organizações contra o regime golpista e seus ataques, em troca dos interesses eleitoreiros da esquerda-pequeno burguesa. Contribuindo para que a extrema-direita e todos os golpistas aprofundem seus ataques contra o povo pobre e todos os seus direitos.

 

 

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