Vitória de Nogueira é a vitória da elite e a derrota do povo da periferia!

Foto: Filipe Peres

Vitória de Nogueira é a vitória da elite e a derrota do povo da periferia!

"A vitória de Nogueira é a vitória da elite ribeirão-pretana e a derrota da população periférica que mais necessita de políticas públicas e de uma cidade inclusiva"

Ribeirão Preto elege pela terceira vez um Prefeito do PSDB, os outros foram Luiz Roberto Jábali (1996-1999) e Welson Gasparini (2005-2008).

 

Mas dessa vez a vitória do PSDB vem em um momento de ascensão do conservadorismo, da retórica seletiva 'anticorrupção' e de cassação dos direitos sociais e trabalhistas e cortes de políticas públicas de distribuição de renda e inclusão social.

 

Imprime-se de maneira veloz a retomada do neoliberalismo e do conceito de Estado mínimo através de um governo federal que não precisou passar seu programa privatista e retrógrado pelas urnas.

 

Essa conjuntura de retrocesso e de avanço da direita repercutiu nas urnas municipais. O clima policialesco inserido no Brasil pela parceria mídia/Lava Jato deu resultado.

 

O principal prejudicado? O PT, o 'vilão' da narrativa construída.

 

O principal beneficiado? O PSDB, o parceiro seleto deste movimento conservador.

 

A seletividade do 'combate à corrupção' fez o PSDB viver nessas eleições municipais sua 'onda azul'.

 

Não entra no debate o fato de ser o PSDB o mentor da PEC 241, que congela os orçamentos da saúde e educação por 20 anos, não entra no debate o fato de ser o PSDB o mentor da reforma educacional por medida provisória e não entra no debate o fato de ser o PSDB o mentor da entrega do pré sal e do desmonte da indústria naval e do projeto tecnológico de desenvolvimento nacional no setor petroquímico.

 

Não entra no debate o fato de ser o PSDB o mentor de uma reforma trabalhista que extingue direitos e de uma reforma administrativa que busca atacar com força o direito de greve e a estabilidade do funcionalismo público.

 

Nem mesmo entra no debate as denúncias de corrupção, sempre omitidas pela mídia amiga quando atingem tucanos.

 

E assim o PSDB volta a ser um partido grande, governando importantes cidades sem precisar para isso assumir nenhum compromisso social, bastando surfar na onda anti-petista, privatista e conservadora que domina o atual ambiente político.

 

Aqui em Ribeirão Preto não é diferente. É preocupante o fato de Nogueira ter desprezado qualquer diálogo com os movimentos populares, não se comprometendo com nenhuma de suas pautas.

 

Na reta final de campanha neste segundo turno, principalmente quando o Ministro da Justiça vazou a prisão de Palocci em evento de campanha com Nogueira e a recusa de Nogueira em dialogar com movimentos populares, eu, militante petista e ativista social, resolvi tomar lado, o lado anti-Nogueira, por entender a tragédia anunciada de sua vitória sobre os movimentos sociais e a população mais pobre.

 

O próprio uso político da Sevandija feita por Nogueira contra Ricardo, com a segurança de que o escândalo da merenda não seria explorado da mesma forma, corroborou para a minha decisão.

 

A derrota da esquerda no primeiro turno não poderia me fazer ficar neutro nessa atual conjuntura.

 

Nogueira e o PSDB são orgânicos na atual construção de um novo projeto autoritário e anti-popular, Ricardo Silva, com todos os seus defeitos, não.

 

Na entrevista feita pelo blog O Calçadão com Ricardo Silva no acampamento do MST, fiz questão de pautar a luta por moradia como a principal questão social da cidade. A preocupação imediata são as 30 reintegrações de posse iminentes solicitadas pela Prefeitura.

 

Ricardo Silva assumiu o compromisso de reabrir diálogo com essas quase 5 mil famílias de sem-teto, Nogueira não tem esse compromisso. Os compromissos de Nogueira foram firmados nos salões da ACI, do Lions e do Rotary. Para a população trabalhadora e periférica apenas promessas formuladas por marqueteiros, como de praxe.

 

A vitória de Nogueira é a vitória da elite ribeirão-pretana e a derrota da população periférica que mais necessita de políticas públicas e de uma cidade inclusiva.

 

Vamos enfrentar anos de dificuldade, de retrocessos. Mas vamos seguir na luta.

 

Reafirmo aqui minha posição progressista e de esquerda e vou continuar ajudando a construir em Ribeirão Preto um diálogo que ajude a formatar uma unidade do campo progressista e um projeto de cidade que se contraponha ao da direita e envolva a população, reafirmando, principalmente, meu compromisso de estar sempre próximo das lutas populares.

 

A luta popular por direitos e, especificamente, por direitos humanos será a tônica dos anos vindouros.

 

Em frente!

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Ricardo Jimenez, Professor e Coordenador do Setorial de Direitos Humanos do PT de Ribeirão Preto. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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