Ricardo Jimenez: Ser 'antipetista' na Ribeirão de hoje é oportuno? Ora se é!

foto: Arquivo Rede PT Ribeirão

Ricardo Jimenez: Ser 'antipetista' na Ribeirão de hoje é oportuno? Ora se é!

"...O PSB é hoje dono do cargo de vice-Governador de São Paulo, em aliança com o PSDB de Alckmin. Seria bem interessante ver o senhor Gandini escrever também sobre sua posição com relação à máfia da merenda, os escândalos no metrô, a lista de Furnas ou com relação ao tratamento dado pelo governo do Estado aos professores e funcionários da saúde do Estado, ou com relação às chacinas cometidas nas periferias de São Paulo e grandes cidades como Ribeirão Preto. Existe na conduta do PSDB algumas "situações que não estavam de acordo com a minha formação" e que, portanto, implicariam em uma análise sobre a aliança paulista?"...

Este blog já cantava a bola há mais de um ano neste artigo aqui.


Ribeirão Preto é considerada a capital do neoconservadorismo coxinha e esta realidade não ficará de fora da eleição municipal deste ano.


Por aqui, bater no PT e adotar um discurso 'anticorrupção' totalmente seletivo e desonesto vai ser o lugar comum nas candidaturas que tentarão explorar ao máximo o atual ambiente de ódio e perseguição política contra um partido criado em âmbito nacional.


Aí, dá-lhe oportunismo, de todos os lados.


Dias atrás o pré-candidato Ricardo Silva contribuiu com o seu quinhão, divulgando nas redes que "jamais apoiei este partido" e dizendo que a Presidente Dilma não tem mais condições de governar o  Brasil e que, portanto, deve ser impichada. 


O posicionamento deste blog sobre isso você pode ler aqui: Posicionamento de Ricardo Silva afronta o PDT e os democratas de Ribeirão Preto. Ricardinho só deixou de mencionar que este ano ele esteve de conversa com o PT na tentativa de formalizar uma aliança para as eleições deste ano, mas isso não vem ao caso.


Da mesma forma, outro dia, um político também filiado a um partido de esquerda em Ribeirão Preto resolveu deixar o seu partido. Antes de definir seu rumo político, ele fez sondagens no PT para ver as possibilidades de ingressar nas fileiras petistas em 2016. Mas, ao se definir por um outro partido que apoia o golpe contra Dilma, este político publicou uma carta onde batia no...PT. Esse é o mote.


E eis que no último dia 1o de abril, o ex-juiz Gandini, ex-candidato a Prefeito pelo PT em 2012, resolveu também publicar na sua página no Facebook (aqui) um texto onde diz: "Filiei-me ao PT porque não havia espaço em outros partidos" (como? Não havia espaço para que? Quer dizer que houve um leilão e o senhor escolheu aquele que lhe abriu as portas? É isso? Com a palavra o PT: foi assim mesmo que aconteceu?).


Continua Gandini em seu texto: "A situação do País e do partido era (sic) completamente outra: O Governo Federal era muito bem avaliado, a Presidente Dilma, no começo do mandato, tinha excelente avaliação. O ex-presidente Lula atingia 83% de aprovação no Brasil inteiro e era considerado um dos maiores líderes políticos do mundo. O PT era (?) o Governo Federal e seus líderes, conhecendo meus projetos para Ribeirão, me prometeram recursos dos programas federais para execução desses projetos que mudariam a cara da nossa cidade e melhorariam as condições de vida da nossa população. Fiquei no partido pouco mais de 1 ano e me desfiliei dele exatamente porque, por ocasião do julgamento do chamado Mensalão, percebi que os padrões éticos pelos quais tanta gente de bem havia lutado na origem do partido, já não eram o paradigma para as condutas de muitos que pretendiam se perpetuar no poder". 'Perai': o chamado 'mensalão' petista é de 2005!! E o julgamento do 'mensalão' petista se deu no mesmo ano de 2012, no período anterior e durante a própria campanha! Como assim?


Continua: "Percebi algumas situações que não estavam de acordo com a minha formação moral e com a minha história de vida, marcada pela honestidade, pela seriedade e pelo compromisso com os valores nos quais fui forjado como ser humano pelos pais. Deixei o partido de cabeça erguida, sem participar de absolutamente nada de que pudesse me envergonhar." Percebeu" situações em desacordo com a sua honestidade, como? Quando? Essa 'percepção' se deu no PT de Ribeirão Preto ou em outra instância à qual o senhor Gandini teve acesso? Os atuais filiados e dirigentes petistas de Ribeirão também 'percebem' essas 'situações' a que se refere do ex-juiz? 


Com a palavra, de novo, o PT.


E termina: "Fiquei sem partido por alguns meses e acabei decidindo aceitar o convite do então Governador de Pernambuco, Eduardo Campos, para ingressar no PSB, do qual sou presidente local e coordenador regional e pelo qual fui candidato a Deputado Estadual em 2014 (ficando como suplente), bem como sou pré-candidato a Prefeito nas eleições de outubro desde ano."

Neste ponto Gandini foi bem econômico, não fez nenhuma contextualização sobre o PSB. 


O PSB é hoje dono do cargo de vice-Governador de São Paulo, em aliança com o PSDB de Alckmin. Seria bem interessante ver o senhor Gandini escrever também sobre sua posição com relação à máfia da merenda, os escândalos no metrô, a lista de Furnas ou com relação ao tratamento dado pelo governo do Estado aos professores e funcionários da saúde do Estado, ou com relação às chacinas cometidas nas periferias de São Paulo e grandes cidades como Ribeirão Preto. Existe na conduta do PSDB algumas "situações que não estavam de acordo com a minha formação" e que, portanto, implicariam em uma análise sobre a aliança paulista?


Em termos nacionais, o PSB foi governo até 2014, quando Eduardo Campos lançou a sua candidatura própria. Campos deve ao Lula e ao PT todo o desenvolvimento que o Estado de Pernambuco conquistou nos últimos 13 anos. E mais, não mexe com a curiosidade do ex-candidato saber quem era o verdadeiro dono do jatinho que Eduardo Campos voava quando fatalmente se acidentou? Será que não seria importante relembrar que Marina Silva, no PSB, fez aliança com Aécio Neves no segundo turno? Todas essas seriam contextualizações importantes não, Dr. Gandini?


Enfim, sei que o Dr. Gandini apoiou e esteve presente nas marchas pró-impeachment em Ribeirão Preto. E, assim como Ricardo Silva, não li uma linha sequer do senhor Gandini sobre as bombas que foram jogadas na sede do PT de Ribeirão Preto dias atrás. 


Mas é preciso ter cuidado em ser afoito no antipetismo para não ser constrangido como Ricardo Silva foi, tendo o seu PDT nacional, honrando Leonel Brizola, se colocado ao lado da defesa da democracia e contra o golpe do impeachment.


Assim como o PDT, o PSB tem no DNA a figura histórica de Miguel Arraes, não a do Márcio França, e, portanto, a qualquer momento pode tomar o mesmo caminho do PDT. E aí, como fica?


Com relação ao oportunismo antipetista, é preciso ter respeito aos milhões de homens e mulheres de valor que todos os dias empunham a sua bandeira e lutam em defesa da história de lutas e conquistas do PT, com honestidade e princípios morais. Eles merecem respeito. 


Atualmente, é o PT que se coloca na linha de frente da luta contra os retrocessos sociais que se avizinham, defendendo a CLT, defendendo os direitos coletivos das minorias, confrontando nacionalmente o golpe liderado por um conluio político-jurídico-midiático, defendendo o fim do financiamento empresarial de campanhas e o pré sal


A história vai mostrar, Dr. Gandini, que terá sido uma honra para o senhor ter um dia pertencido a uma agremiação nascida das lutas populares e que permanece na mesma trincheira onde nasceu, honrando a tradição de lutas do povo brasileiro contra o arbítrio e a exclusão.
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Ricardo Jimenez é editor do Blog O Calçadão Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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