Ricardo Jimenez: Os rumos do PT de Ribeirão Preto serão determinados pela unidade de sua militância em torno de um projeto de futuro!

Foto: Filipe Peres

Ricardo Jimenez: Os rumos do PT de Ribeirão Preto serão determinados pela unidade de sua militância em torno de um projeto de futuro!

“O Partido dos Trabalhadores é uma associação voluntária de cidadãos e cidadãs que se propõe a lutar por democracia, pluralidade, solidariedade, transformações políticas, sociais, institucionais, econômicas, jurídicas e culturais destinadas a eliminar a exploração, a dominação, a opressão, a desigualdade, a injustiça e a miséria, com o objetivo de construir o socialismo democrático”

A mensagem do artigo primeiro do estatuto do PT é clara e se soma, ao longo do tempo, ao amplo legado construído pelo partido na ação concreta da vida política nacional.

 

O legado da construção real de um partido amplo, diverso, com democracia interna, ligado às lutas dos mais representativos movimentos populares e capaz de estabelecer parâmetros de atuação parlamentar e governamental que se tornaram exemplos para a esquerda latino-americana e mundial.

 

O chamado ‘Modo Petista de Governar’ já era referência quando Lula assumiu a Presidência do Brasil em 2003 e pôde aplicar nacionalmente toda a experiência de formulação política e inclusão das mais diversas vozes populares e acadêmicas em um projeto histórico que legou ao país um período de desenvolvimento econômico com geração de empregos, inclusão social, oportunidades para os mais pobres, diminuição das desigualdades e inserção soberana na geopolítica mundial.

 

Apesar dos erros e insuficiências, que exigem do partido a capacidade de autocrítica, de correção de rumos e atualização do programa partidário, foram os avanços, as conquistas e o legado que fizeram e fazem do PT o maior partido popular e de esquerda brasileiro e sul-americano, continuando a ser uma força capaz de articular e unificar o campo popular, democrático e progressista em torno de um projeto de país.

 

Foram esses grandes acertos ao longo dos anos e essa capilaridade na relação com as lutas populares, principalmente ao longo dos 13 anos em que estivemos no poder central, que fizeram e fazem do PT o alvo maior da reação conservadora e entreguista.

 

O mesmo período que possibilitou ao PT construir seu legado histórico, levou o partido à sua maior crise, a partir dos intensos e poderosos ataques desferidos contra o seu legado, a sua imagem e a imagem de suas maiores lideranças, especificamente a do Presidente Lula.

 

Evidente que algumas táticas e estratégias adotadas ao longo dos anos se mostraram equivocadas e que desvios individuais ocorreram. Tudo isso precisa ser revisto, oxigenado, atualizado à luz dos acontecimentos. Mas é preciso ter claro que a tentativa de destruição do PT se dá por causa de seus acertos, de sua potencialidade unificadora e transformadora.

 

O PT é o maior obstáculo ao avanço neoliberal e entreguista defendido por uma elite econômica e política antinacional e antipopular. O PT é hoje o exemplo de que o tão sonhado projeto nacional de desenvolvimento soberano e inclusivo está de pé e mantém suas raízes populares e, por isso, desperta o ódio de quem historicamente agiu para sabotar esse projeto.

 

Diante dessa conjuntura, nada mais importante do que o posicionamento adotado no 6º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, um Congresso histórico, em consonância com a vontade popular e com as responsabilidades do momento atual.

 

O rumo político foi dado e se reflete nas palavras da Presidenta Gleisi Hoffmann e do Presidente Lula, de que o PT deve aprender com a experiência e corrigir os rumos, mas olhando para o futuro, se reconectando à esquerda, estreitando os laços com os movimentos sociais, fortalecendo a militância, dialogando com o povo e apresentando, já em 2018, um projeto para o país que possa representar uma saída econômica à esquerda e inclusiva para a crise, que possa representar um caminho de radicalização na participação democrática da sociedade, que aponte para a realização de reformas fundamentais na política e nos meios de comunicação e que possa unificar e conduzir amplas forças democráticas e populares de volta ao poder central do país.

 

Em Ribeirão Preto

Assim como o PT em nível nacional, o PT em Ribeirão Preto também tem um legado de realizações na cidade. Nossa militância tem histórico de construção e atuação no movimento popular, nossos parlamentares têm enormes contribuições ao desenvolvimento e democratização da cidade e nossas duas administrações municipais se inserem entre as melhores, notadamente a primeira, tida pela população da cidade como uma administração progressista, popular, participativa, bem-sucedida e que revelou nossa maior liderança até hoje: Antônio Palocci.

 

Mas, assim como o PT nacional, o PT de Ribeirão Preto enfrenta uma crise, ainda anterior à crise nacional. A transição entre o período de sucesso político, militante e organizativo dos tempos de Palocci para um novo período ainda não se completou.

 

Um novo projeto político que aponte o futuro e crie novas possibilidades de organização, crescimento e vitórias políticas ainda não foi elaborado.

 

Os processos eleitorais de 2012 e 2016, principalmente este último, aprofundaram a crise, uma vez que a ausência de um projeto de fortalecimento organizativo interno conduziu a candidaturas (e apoio a candidatura) que não unificaram o conjunto do partido e, pior, fracionaram a militância.

 

É claro que todo esse processo histórico de transição entre o período de sucesso anterior e o novo período ainda em construção necessita ser avaliado e submetido a crítica partidária. Mas, neste momento, é muito mais importante fazer essa crítica buscando compreender a conjuntura e com os olhos no futuro.

 

Defendi durante o processo eleitoral de 2016, e durante o PED de 2017, a unidade partidária como o único caminho para a superação da crise do PT de Ribeirão Preto e continuo a acreditar na mesma tese.

 

De nada vai adiantar e a nada vai nos levar se ficarmos neste momento presos ao debate do passado, buscando personificar culpados, ou pior, buscando construir uma divisão falsa e enganadora entre heróis e vilões que, verdadeiramente, inexistem.

 

Precisamos enxergar esse período longo e incompleto de transição no PT de Ribeirão Preto de forma didática.

 

É hora de avançar!

 

Precisamos superar 2012 e, fundamentalmente, 2016!

 

Precisamos, mais do que nunca, ouvir o que dizem nossas lideranças maiores, principalmente nossa Presidenta Gleisi e nosso líder maior Lula: unificar forças, reorganizar e olhar para o futuro.

 

Somos hoje pouco mais de 200 militantes minimamente engajados nas tarefas partidárias e com lastro no movimento popular da cidade. É algo expressivo diante das dificuldades vivenciadas. É um ponto de partida que nenhum outro partido de esquerda, quiçá os de direita, tem na cidade.

 

Daí que a unidade é nosso único caminho!

 

Precisamos fazer do novo Diretório um instrumento atuante e propulsionador da organização e do crescimento partidário. Os quadros políticos que hoje integram o Diretório vão precisar dar ao coletivo partidário os rumos e a empolgação política necessários.

 

Será preciso equacionar a questão financeira com uma política de finanças participativa e transparente, onde os quadros dirigentes terão a obrigação de servir como exemplos de compromisso partidário.

 

Precisaremos investir em uma política de formação que integre a atual militância e a vinda de novos companheiros através de ampla e necessária campanha de filiação.

 

Será imprescindível que a militância seja capaz de ocupar os espaços de formulação e construção política do partido, ou seja, as Secretarias e os Setoriais, que serão reorganizados em breve.

 

Necessitaremos ocupar os espaços reais de participação política existentes no município, estreitar nossos laços com os movimentos sociais, tarefa fundamental que será desenvolvida pela Secretaria de Organização e de Movimentos Populares, e fortalecer nossa militância de juventude!

 

Será fundamental, também, articular e harmonizar a atuação partidária com a atuação parlamentar, como forma de dar visibilidade e ação política ao partido e de dar à militância o embasamento necessário para atuar na realidade da cidade.

 

Teremos, por fim, a tarefa e a responsabilidade intransferíveis de construir em Ribeirão Preto as campanhas de 2018 e 2020. Nesta última, nossa responsabilidade será ainda maior, pois caberá a nós apresentar à sociedade ribeirão-pretana um projeto de cidade participativo, diferenciado, progressista, democrático, inclusivo e que se oponha ao projeto tucano elitizado e excludente hoje colocado.

 

Portanto, companheiros e companheiras, nossos cerca de 200 militantes constituem um bom começo, mas ainda insuficiente para as enormes tarefas que temos de cumprir. Precisaremos, obrigatoriamente, abrir o partido a novas e importantes contribuições, seja dos movimentos populares, seja de acadêmicos, especialistas, enfim.

 

O PT de Ribeirão Preto vai ter de ser capaz de atrair para seus debates e formulações políticas os amplos setores do campo popular e progressista da cidade, e isso só será possível se existir entre nós um ambiente de fraternidade, entusiasmo, lealdade, diálogo e disposição política para construir.

 

O primeiro passo? Unidade.

 

O segundo? Unidade.

 

O terceiro? Unidade.

 

Olhando para o horizonte futuro, completando a transição para um novo período do PT de Ribeirão Preto.

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Ricardo Jimenez professor, dirigente partidário e Coordenador do Setorial Direitos Humanos do PT de Ribeirão Preto Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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