Ricardo Jimenez: Aproximar o Partido dos movimentos sociais não pode ficar apenas na retórica, tem de ser na prática!

Ricardo Jimenez: Aproximar o Partido dos movimentos sociais não pode ficar apenas na retórica, tem de ser na prática!

Nesse momento em que o Partido dos Trabalhadores chama seus militantes a participarem dos debates que precedem seu 6º Congresso, muitas vozes se levantam para analisar a necessidade de reaproximação do Partido dos movimentos sociais.

 

Essa é, sim, uma pauta fundamental, mas não pode ficar apenas na retórica, deve fazer parte da prática partidária, incluindo a formação política e a organização interna da militância.

 

Aqui em Ribeirão Preto, as pautas e as lutas dos movimentos sociais estão em efervescência desde 2014 e o Partido não pode ficar de fora e, para isso, precisa urgentemente chamar a militância e organizar as bases partidárias.

 

Temos na cidade um tema absolutamente importante e pulsante que é a luta dos movimentos por moradia. Temos mais de 50 comunidades, integrando mais de 15 mil pessoas e os movimentos sociais estão todos os dias debatendo e atuando junto à essa demanda social.

 

A União dos Movimentos de Moradia e o SASP (sindicato dos Arquitetos de São Paulo) criaram em Ribeirão Preto, no final do ano passado, a Frente de Defesa da Moradia Digna e de Direito à Cidade e, junto com as comunidades, busca resolver o drama das 33 execuções de reintegração de posse que ameaçam as famílias.

 

Em fevereiro do ano passado, 26 entidades do movimento social da cidade criaram o Fórum Permanente de Movimentos Populares e, no período do processo eleitoral, essa entidade apresentou um documento público versando sobre vários segmentos e propôs para Ribeirão Preto uma Secretaria de Direitos Humanos.

 

Em julho do ano passado, outras 30 entidades do movimento social, em parceria com o Conselho Estadual de Direitos Humanos (CONDEPE), realizaram em Ribeirão Preto um encontro Regional de Direitos Humanos, destacando a luta por moradia, a situação dos moradores de rua e dos imigrantes haitianos e o caso Luana Barbosa.

 

Isso sem falar nos movimentos feministas e de juventude que realizaram vários atos Fora Cunha e Fora Temer na cidade.

 

Todo esse processo de mobilização do movimento social da cidade contou com a presença de lideranças petistas, de militantes e quadros partidários, mas o PT não conseguiu estar presente como organização partidária e nem conseguiu levar para dentro de suas instâncias um debate mais aprofundado sobre esses temas.

 

No debate que envolve direitos humanos, presente todos os dias na cidade dado o avanço da truculência principalmente contra os mais pobres e mais fragilizados, o PT esteve presente a partir do trabalho do ex-vereador Beto Cangussu, que realizou importantes e reconhecidas contribuições à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara de Vereadores. Mas o Setorial Direitos Humanos do PT só foi reorganizado no final de 2016.

 

Portanto, é urgente o trabalho de reorganização das bases partidárias, somado a um trabalho de formação e de formulação de propostas em todas as esferas que envolva a atuação do Partido junto da luta popular.

 

Temos quadros militantes com grande capacidade na área de educação, moradia, urbanismo, meio ambiente, mobilidade urbana, igualdade racial, questões de gênero e LGBT, juventude, direitos humanos. Precisamos que estes quadros estejam militando e construindo as secretarias e os setoriais do partido.

 

Todo esse trabalho militante e organizado será fundamental tanto para colocar o partido como instituição em condições de se aproximar dos movimentos sociais como fará com que o Partido, a partir das riquíssimas experiências e realizações nos seus treze anos de governo e na sua atuação histórica junto às bases populares, ganhe em qualidade e possa produzir suas propostas para Ribeirão Preto, debatendo com a sociedade como um todo.

 

Precisamos enriquecer com nossa organização e formulação de propostas um instrumento extraordinário que foi lançado via Rede PT (http://pt-ribeirao.org.br/) em 2016: o Dialoga Ribeirão, que construiu e seguirá construindo as bases do Programa de Governo Participativo, a contribuição petista para debater e propor soluções para a cidade, dentro de uma visão popular, democrática e inclusiva.

 

É nosso dever maior como militantes de um partido que já governou a cidade duas vezes fortalecer organicamente esse Partido, dialogar com as amplas massas, construir pontes com os movimentos sociais e fazer uma oposição qualificada ao atual governo tucano, visualizando um Partido forte para agir na realidade social e também disputar para vencer as eleições de 2020.

 

Portanto, companheiros e companheiras, a reaproximação do PT dos movimentos sociais precede um trabalho de reaproximação dos militantes petistas do Partido, em um trabalho de organização, formação e formulação de políticas sem a qual a tarefa de aproximação dos movimentos sociais será apenas retórica. E essa é uma tarefa da Direção partidária.

 

Que o novo Diretório do PT de Ribeirão Preto que será formado este ano se debruce sobre esse trabalho tão fundamental para o fortalecimento partidário.

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Ricardo Jimenez – Coordenador do Setorial Direitos Humanos do PT de Ribeirão Preto Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

Comentários (2)

Marcelo Botosso

Excelente reflexão. Vale alertar que a aproximação nunca deve ser entendida como tutela.

Jussara Mellin Lutz

Excelente. Que os militantes se aproximem do partido para que o PT possa se aproximar dos movimentos sociais.