O Máximo de Segurança é a Escravidão

arte: Pelicano

O Máximo de Segurança é a Escravidão

Tentando refletir sobre o que leva eleitores a optar pela candidatura de alguém que prega a violência, a exclusão de direitos e a homofobia, lembrei-me de um enunciado de Roberto Freire (o psicanalista e escritor) e Fausto Brito: “O risco é sinônimo de liberdade, o máximo de segurança é a escravidão”.

 

À primeira vista paradoxal, esse enunciado explica muito bem o que faz uma população com medo, ou melhor, impelida ao medo, optar por um carrasco.

 

Um escravo tinha trabalho, moradia, comida e sua segurança - contra animais da selva e outros senhores, por exemplo - era garantia pelo senhor. No entanto, sua liberdade, estava comprometida na raiz. Ele não tinha direito sequer aos seus filhos, que eram transformados em escravos também.

 

Impelida ao medo, parte de nossa sociedade tende a crer que armas podem dar mais segurança ao povo; que uma intervenção militar pode garantir a ordem, mesmo ciente do que está acontecendo no Rio de Janeiro, isto é, estupros e assaltos a moradores das comunidades dos morros cariocas praticados por militares; que militares não são corruptos, mesmo com vasto material que demonstra que Norberto Odebrecht já lhes dava propinas, na época da ditadura.

 

Impelida ao medo, uma parcela da sociedade brasileira opta pelo recalque da sua sexualidade, em prol de um falso moralismo já escancarado pela obra de Nélson Rodrigues.

 

Enfim, impelida pelo medo e pela insegurança, uma significativa fração da população brasileira busca entregar sua vida social a um senhor de escravo, que, até hoje, tenta ridicularizar nossos combativos quilombolas.

 

Realmente, o máximo de segurança é a escravidão, mas é a liberdade que nos propicia a arte (mesmo porque a vida não basta); o amor pleno, em todas as suas variantes; os estudos de filosofia e sociologia, que nos levam a certa compreensão da vida em sociedade; e o trabalho que nós desejamos exercer. Por que todos os nossos jovens dever ser preparados para a indústria, como deseja aquele que quer reeditar a educação tecnicista?

 

Mil vezes a liberdade, de escolha, de religião, de gênero, política, de expressão, de amor, de estudo e trabalho a uma segurança que me transforme em um escravo.

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Márcio Coelho é secretário de Cultura do PT de Ribeirão Preto Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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