LULA LIVRE: A razão do irracional

foto: Comitê Lula Livre

LULA LIVRE: A razão do irracional

Para nós, latino-americanos, que nascemos em famílias da classe trabalhadora, adotamos ideais de democracia, justiça social e concebemos o Estado como o "escudo dos pobres" contra os ataques covardes e desumanizados do capitalismo, Luiz Inácio "Lula" da Silva é uma herança coletiva.

Desde 2003, eu e Ana Favaretto somos membros do Movimento da Canção Infantil latino-americana e caribenha. Em 2009, fomos alçados a membro do Comitê Permanente do MOCILyC.

 

A partir de então, somos elementos de uma enorme rede de relacionamentos afetivos, de trabalho e de intercâmbio cultural. Do Uruguai ao México, são muitos e muito interessantes e competentes - em várias áreas - os nossos amigos. No âmbito da política, destacarei a atuação de Maria Milagros Santana, ex-deputada chavista.

 

Todavia, sabemos, o front da luta contra o capitalismo é pintado com vários matizes. Do meu ponto de vista, a cultura é um dos principais deles. O uruguaio Julio Brum, nosso amigo, músico, cancionista, professor de música, produtor, fundador do selo Papagayo Azul e criador da Rádio Butiá atua, há quase trinta anos, em favor da música para crianças, na América-latina, e, como um observador atento à conjuntura política latino-americana, a meu pedido, aceitou escrever um artigo sobre a visão de um estrangeiro sobre a injusta prisão de Lula. Agradeço profundamente sua disposição. Esse é o espírito do MOCILyC! Evoé, Julito!

 

Para facilitar a fruição de nossos leitores, verti seu texto para o português, mas, logo após a versão, o leitor que se interessar poderá ler o texto original. Vejamos o que Julio Brum tem as nos dizer:

 

"Dar sentido ao absurdo é uma tarefa essencial dos psicanalistas e dos poetas, por exemplo, estabelecendo ordem no aparente caos do mundo interior. Isso significa: buscar o significado e insistentemente perguntar-se por ele, justamente ali onde o “senso comum ", " A mente saudável ", " a razão ", isto é, o pensamento convencional, tropeça em seus próprios limites.

 

Esse enunciado, que se refere a uma análise psicológica de "Dom Quixote" - que eu tinha lido na web havia pouco tempo - me assaltou quando meu amigo Marcio Coelho, secretário de cultura do PT de Ribeirão Preto, me pediu para escrever algo sobre a situação de Lula e sua prisão: "Estou interessado na visão de alguém de fora do Brasil", disse-me meu amigo. E eu o compreendo e tentarei dar sentido ao absurdo que é a prisão de Lula. Difícil será “ver de fora”.

 

Para nós, latino-americanos, que nascemos em famílias da classe trabalhadora, adotamos ideais de democracia, justiça social e concebemos o Estado como o "escudo dos pobres" contra os ataques covardes e desumanizados do capitalismo, Luiz Inácio "Lula" da Silva é uma herança coletiva.

 

Entre um mar de "Fake News", mídia tendenciosa e um mar de ataques à administração e à honra de Lula, às vezes é difícil para aqueles que não vivem no Brasil ter uma ideia bem formada e justa sobre sua situação, se a analisarmos imediatamente, de chofre.

 

Mas se nos distanciamos e vemos, de forma contextualizada, a sequência de acontecimentos que levam Lula à prisão, podemos construir um quadro mais completo da situação. Então, todos os “absurdos” começam a se explicar.

 

Pessoalmente, alguém que foi abraçado e respaldado por Chico Buarque não necessita de maiores defesas.

 

A contundência e o compromisso ético de Lula com seu povo e, muito especialmente, com os mais desprotegidos, nos leva a clara e simplesmente exigir um “Lula Livre!” também, mesmo de fora do Brasil.

 

Só podemos tentar entender sua injusta prisão a partir de uma "mente saudável" ao vermos onde chegou o processo involutivo brasileiro, com um Bolsonaro que toma a população indígena como um "obstáculo" ao desenvolvimento capitalista.

 

A prisão injusta de Lula; os atropelamentos dos índios equatorianos; os líderes sociais assassinados na Colômbia e o crescimento explosivo da pobreza na Argentina continuam nos informando que as veias da América-latina ainda estão abertas e devemos continuar lutando pela união de nossos povos. Por um futuro de igualdade e de justiça.

 

É necessário que Lula esteja livre para seguir os passos de Dom Quixote, lutando com "os moinhos de vento" pela liberdade de nosso povo.

 

LULA LIVRE : La razón de la sinrazón.

 Julio Brum e Márcio Coelho, no SESC Ribeirão, durante o 1º Encontro Brasileiro da Canção para Crianças

 

"El dar sentido al sin sentido es una tarea esencial tanto de psicoanalistas como de poetas, por ejemplo poniendo orden en el aparente caos del mundo interno. Esto significa: buscar el significado, e insistentemente preguntarte por él, justo ahí donde el “sentido común”, “la mente sana”, “la razón”, es decir, el pensamiento convencional, tropiezan con sus propios límites.

 

Esta frase referida a un análisis sicológico de " El Quijote " - que había leído en la web poco tiempo atrás- asaltó mi mente cuando mi amigo Marcio Coelho referente de cultura del PT en Ribeirão Preto me pidió escribir algo sobre la situación de Lula y su prisión.

 

"Me interesa una visión desde alguien fuera de Brasil " me dijo mi amigo.

 

Y lo entiendo y voy a intentar dar sentido al sin sentido de su prisión.

 

Igual será difícil verlo "desde fuera".

 

Para quienes en Latinoamérica tenemos origen en familias obreras y abrazamos ideas de democracia, justicia social y concebimos el estado como el "escudo de los pobres" frente a los embates cobardes y deshumanizados del capitalismo, Inácio "Lula" da Silva es un patrimonio colectivo.

 

Entre un mar de "Fake News", medios de comunicación tendenciosos y un mar de ataques a la gestión y honorabilidad de Lula, es difícil en ocasiones para quienes no vivimos en el Brasil tener una idea formada y justa de su situación si la analizamos puntualmente.

 

Pero si tomamos distancia y vemos en forma contextualizada la línea de acontecimientos que llevan a Lula a prisión, podemos formarnos un cuadro de situación más completo.

 

Ahí todos los "sin sentidos" comienzan a explicarse.

 

Personalmente alguien que fue abrazado y respaldado por Chico Buarque no necesita mayores defensas.

 

La contundencia y el compromiso ético de Lula con su pueblo y muy especialmente con los más desprotegidos nos lleva a simple y claramente a exigir un "Lula Livre" también desde fuera del Brasil.

 

Solo podremos intentar entender su injusta prisión desde una "mente sana" si vemos adonde ha llegado el proceso involutivo brasileño con un Bolsonaro que visualiza a la población indígena como un "estorbo" para el desarrollo capitalista.

 

La injusta prisión de Lula, los atropellos a los indígenas ecuatorianos, los asesinados líderes sociales en Colombia o el explosivo crecimiento de la pobreza en Argentina nos siguen dando cuenta de que las venas de Latinoamérica siguen abiertas y debemos seguir batallando por la unión de nuestros pueblos por un futuro de igualdad y de justicia.

 

Por eso es necesario un Lula da Silva Livre para que siga tras los pasos del Quijote peleando con "los molinos de viento" por la libertad de nuestra gente.

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Julio Brum é Membro do Comitê Permanente do MOCILyC, músico, cancionista, professor de música, produtor, fundador do selo Papagayo Azul e criador da Rádio Butiá | Márcio Coelho é secretário de cultura do PT de Ribeirão Preto. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

Comentários (1)

Daniel Custodio

Estoy de acuerdo con Julio. Entiendo que todo lo que está pasando en varios países de América Latina; forma parte de la estrategia de EEUU junto a todos los partidos de derecha para desprestigiar todo lo que se ha logrado con los gobiernos de izquierda y así conquistar de nuevo el poder. Esa historia ya la vimos. Ojalá no se repita. Arriba los que luchan por los más necesitados.