A nova velha escola tucana

A nova velha escola tucana

A nova escola de Alckmin continuará sem laboratório de informática, servindo merenda enlatada de péssima qualidade, sem biblioteca, sem carteiras, cortinas, sem ar condicionado, sem professores, sem funcionários e a única inovação sem água

 

O governo do PSDB é incapaz de oferecer educação de qualidade " uma tradição comprovada, aqui em São Paulo, ao longo dos últimos 20 anos. Uma verdade para milhares de pais e mães, alunos e professores da rede estadual. Inédita é a falta de imaginação que tem assolado os tucanos paulistas. Não bastasse maquiar números, desvirtuar a progressão continuada transformando-a em aprovação automática, pressionar prefeitos para assumirem parte da responsabilidade estadual sobre o ensino fundamental, as escolas desestruturadas, a falta de funcionários e professores, brindar as escolas privadas com milhões de alunos, não bastasse a falta de escola dentro da escola, não bastasse a violência, agora, ainda, é preciso conviver com a falta de imaginação dos tucanos.

 

Esgotado o arsenal de ignomínias contra a educação, decidiram retroagir, voltar no tempo e lançar mão de manobras já usadas para desestruturar a educação. Mário Covas, de onde está, deve estar sorrindo ao ver seu dileto vice-governador recorrer à receita de sua autoria, colocada em prática pela então secretária de Educação, Rose Neubauer. Há vinte anos, em 1995, a dupla tucana já falava da nova escola e incensava como revolucionária a divisão das escolas por ciclos, obrigando os prefeitos a assumirem os anos iniciais do fundamental. A "nova" fórmula de Alckmin, apresentada pelo seu secretário Herman Voorwald, não vai nem um milímetro além do plano de Covas que, após vinte anos em vigor, mostrou-se tão ineficaz e nulo que precisa ser reeditado e novamente imposto.

 

A nova escola de Alckmin continuará sem laboratório de informática, servindo merenda enlatada de péssima qualidade, sem biblioteca, sem carteiras, cortinas, sem ar condicionado, sem professores, sem funcionários e " a única inovação " sem água. O desgoverno do PSDB em São Paulo, com solícita conivência da grande imprensa, paralisa o metrô, violenta o conhecimento e atira em qualquer um que se atreva reclamar. Não há nova escola e não há um novo governo, ou novas medidas, nos últimos 30 anos em São Paulo. É sempre mais do mesmo, do mesmo descaso, do abre alas para os setores privados, do estado mínimo, da mesma irresponsabilidade social que alija principalmente crianças e adolescentes mais pobres do conhecimento e das oportunidades, ampliando a violência e a submissão das comunidades periféricas ao crime organizado.

 

Mudanças capazes de interferir tão definitivamente na vida escolar de alunos professores e funcionários, que deveriam ser debatidas, deveriam resultar do diálogo com a sociedade. Porém, democracia tem sido cada vez menos o habitat de tucanos, rumando desenfreados para abraçar o conservadorismo e o autoritarismo, deixando para traz o que havia de social democrata num partido que passou a ser conhecido, simplesmente, pelo nome de uma ave, ave famosa inclusive por balancear sua dieta de frutas com ovos, roubados dos ninhos. Qualquer semelhança com a realidade é verdadeira.

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João Paulo Rillo é deputado estadual pelo PT-SP Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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