Pobre País!

Pobre País!

Um Shopping instalou as máquinas, para receber o dinheiro decorrente do uso da vaga do estacionamento, e de quinze funcionários onze foram despedidos.

 

Muitos taxistas não conseguem o dinheiro para pagar as prestações de seu carro. O aplicativo UBER atacou de frente a categoria e com vocação mundial.

 

O Banco do Brasil, recentemente, planejou a saída voluntária de milhares de seus funcionários, porque a tendência é de cada cliente ser também o empregado do Banco, no autoatendimento. Ou para acabar com as tradicionais agências, sem anunciar a chegada do Banco Digital.

 

As empresas aderem à força imperativa de racionalização proposta pela tecnologia, que gera uma produção muitas vezes maior, e dispensam quase todos os seus funcionários. Para não se dizer das fusões empresariais, que alimentam o lucro maior pela quase exclusão dos gastos com salários.

 

Muitas plantas industriais dos países desenvolvidos, ou em desenvolvimento, foram transferidas para a China ou a Índia, visando baratear o custo, ganhar a competividade chinesa, que invadiu o mundo, fechando empresas nos países invadidos, porque o preço dela é muito inferior ao custo do produto nacional. Mais desempregados nos países invadidos, porque as unidades fabris encerram suas portas. O Brasil não é exceção. Será que a sabedoria “trumpiana”, toda ameaçadora e autoritária, conseguirá retroceder a força intrínseca e expansiva do capitalismo?

 

Tanto na França como nos Estados Unidos cidades que eram industriais se tornaram quase fantasmas, garantindo à direita eleitoral, furiosa, odienta, a titularidade do canhestro verbo separatista.

 

A Constituição do Brasil, em seu artigo 7º, item XXVII, assegurado ao trabalho a sua proteção contra a automação, nos termos da Lei. Como é que essa norma programática pode se antepor a força imperativa do avanço tecnológico.

 

Como ficará a Previdência Social e a sua receita for drasticamente reduzida, reduzida a quase zero, porque o futuro de cada máquina é simplesmente ser substituída por outra máquina, e não pelo braço humano trabalhador?

 

Como ficará a organização da produção e do Estado, com esse exercito descomunal de mão de obra, rondando a casa e a consciência e a vida de cada pessoa, ou empresa, dentro de curto e breve espaço de tempo, se não há regra de contenção tecnológica, sendo absolutamente impossível tê-la.

 

Se não houver emprego, não haverá empregado, não haverá salário, não haverá poder aquisitivo para adquirir a produção centuplicada pela tecnologia, não haverá receita previdenciária. O divino mercado entrará em parafuso?

 

E para onde irão viver, conviver, sorrir e amar, milhões e milhões de pessoas? Já que desempregados somarão um numero maior do que o de 13 milhões.

 

A pressa nas decisões do governo brasileiro, em pontos cruciais da relação do trabalho e da previdência, retirou da pauta a necessidade de ouvir as vozes da rua, optando pela maioria parlamentar, faminta de verbas e cargos. O pré-Sal foi entregue no auge da perplexa crise institucional. Ainda, o governo oferece, de lambuja, e em ministérios, suspeitos de ilícitos, destacando-se as ações ou as omissões, que incentivam a violência nas terras indígenas, o que corresponde a um incentivo geral da violência, porque a estupidez tem sua coerência. Não falta nesse time de comerciantes oficiais quem queira vender terras brasileiras, em nome de maior facilidade de financiamento, numa vocação de mercado persa, sem se dizer do esquartejamento da Amazônia, como prova da supina alienação. O Ministério do Meio Ambiente, já abriu licitação (jornal O Estado de São Paulo, edição de 3 de maio pp), para que empresa privada monitore, por satélite, os biomas brasileiros, serviço até hoje prestado pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe)?  A dignidade da então Diretora fê-la sair na véspera da divulgação do edital.

 

A aviação civil 100% nas mãos estrangeiras não significa uma área estratégica negociada e vendida?

 

Quê balburdia jurídica foi instalada no Brasil, quando “Juiz do Paraná esmagou o devido processo legal com um desassombro inédito em tempos democráticos”, no dizer de Reinaldo Azevedo (Folha de São Paulo, edição de 12 de maio), e o Tribunal Regional Federal da 4º Região dissera antes, para não punir o mediático Magistrado, que vivemos em época excepcional, apesar do Constituição consagrar o Estado Democrático de Direito? Tudo com a arrogância togada, impune. Felizmente, teve um voto contrário, naquele Tribunal.

 

E, os familiares dos chefes da Lava-Jato, que, como advogados, são contratados para cuidar das delações dos presos, em prisões duradouramente provisórias?

 

Quando discutiremos a politica de resgate do sentimento e da consciência de nação? Quando discutiremos a soberania nacional diante do dissolvente de fronteiras, que representa a chamada globalização? Quando discutiremos um projeto nacional para o Brasil, apesar de nossas oligarquias estarem ligadas ao capital financeiro internacional?

 

Por que a experiência da Escola Integral, iniciada com o CIEPS, no Rio de Janeiro, não prosseguiu nos governos posteriores? Quantas crianças não teriam sido afastadas do mundo das drogas e do crime, se a bendita escola não tivesse sido desmontada, lá atrás?

 

Estas são algumas questões que deveriam estar vibrando nos meios de comunicações, que atualmente incutem na cidadania, ou querem incutir, que o maior problema do Brasil é a corrupção, e a nossa salvação é a policia e seus parceiros da lei.

 

O destino do grandioso Brasil é ser uma eterna-promessa?

 

Pobre país!

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Feres Sabino é advogado Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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