Cunha e Catilina

foto: Revide

Cunha e Catilina

A incrível capacidade de comando do Presidente da Câmara Federal, Deputado Eduardo Cunha, conseguindo refazer decisões, barrar/procrastinar andamento de processo na Comissão de Ética, etc, até mereceria o respeito e a admiração de todos nós se, efetivamente, se destinasse a proteger os interesses do Brasil e ou de nós, povo brasileiro.

 

Não é assim, todavia.  Suas condutas só se dirigem a se proteger contra a apuração de seus atos ditos ilícitos, ou, para incomodar seus adversários na política e na administração do país.  A nenhum momento se viu, da parte dele, uma postura de Presidente da Câmara, no sentido de agilizar a votação de processos de interesse da pátria. Nada, nada mesmo, nesse sentido.

 

Bem por isso, muito oportunamente, a publicação MIGALHAS, dirigida mais aos operadores da Justiça, trouxe à lume, resumidamente, a posição do Senador de Roma, CATILINA frente ao governo republicano, da época, e uma das repostas que lhe foi dada pelo que o Cônsul Romano Marco Túlio Cícero, no período de 63 anos antes de Cristo. Catilina, como nos relata a história, exímio orador, se valia da condição de Senador para tentar a derrubada do governo republicado. Tanto fez, em 4 famosos discursos, que recebeu a seguinte “resposta”:

 

Até quando, Catilina, abusarás da nossa paciência? Por quanto tempo a tua loucura há de zombar de nós? A que extremos se há de precipitar a tua desenfreada audácia? Nem a guarda do Palatino, nem a ronda noturna da cidade, nem o temor do povo, nem a afluência de todos os homens de bem, nem este local tão bem protegido para a reunião do Senado, nem a expressão do voto destas pessoas, nada disto conseguiu perturbar-te?  Não te dá contas que os teus planos foram descobertos? Não vê que a tua conspiração a têm já dominada estes que a conhecem?  Quem, dentre nós, pensas tu que ignora o que fizeste na noite passada e na precedente, onde estiveste, com quem te encontraste, que decisão tomaste? Oh tempo, oh costumes!

 

Essa, por certo, deveria ser a carta que os Poderes constituídos do Brasil, todos eles, e, sobretudo a Comissão de Ética da Câmara dos Deputados deveria enviar ao presidente Eduardo Cunha, pois, já está demonstrado que seu desejo maior (após o de escapar da cassação), sem dúvida, é o de desestabilizar a República, atirando para todos lados, sem olhar a quem. 

 

Quando as passeatas do último domingo, 13 de dezembro, trouxeram para rua um menor (e diminuto) número de manifestantes, sem dúvida, um dos fatores que concorreu para isso foi a postura irresponsável do dep. Eduardo Cunha, pois, como ele deseja a queda da República e da Democracia, ficou a ideia de que as manifestações fossem, também, um endosso a ele.

 

Está difícil vê-lo presidindo a Câmara, e, mais que isso, vê-lo agindo, tal qual Catilina, contra nossa paciência, com audácia beirante à loucura, contra a certeza de que não engana mais ninguém, e, que seus planos foram descobertos.  Tem que descer do pódio, e, sem qualquer louro, mas, pelo contrário, execrado da vida pública, preferencialmente, atrás das grades!

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