Alexandre Padilha: Depressão tá logo aqui

Alexandre Padilha: Depressão tá logo aqui

A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou estudo preocupante: em 10 anos, o número de pessoas com depressão no mundo teve aumento de 18%, 322 milhões viviam com a doença em 2015. No Brasil, o transtorno acomete cerca de 11 milhões de pessoas e 18 milhões sofrem com sintomas de ansiedade.

 

Como explicar este resultado sendo o Brasil considerado um dos países mais felizes do mundo, segundo a Forbes? A depressão é o transtorno mental mais comum e é resultando de diversos fatores. Há necessidade de acompanhamento com médico e equipe multiprofissional.

 

Quando secretário da Saúde na gestão de Fernando Haddad solicitei a quantidade de distribuição dos antidepressivos na rede. Fiquei assustado com o que foi apresentado: em 2014, mais de 100 milhões de antidepressivos foram retirados nas farmácias das unidades de saúde.

 

No mesmo ano, a Secretaria publicou um protocolo para dispensação do metilfenidato (ritalina) para o tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) por conta da não comprovação do diagnóstico por exames. A iniciativa reduziu em mais de 30% o uso abusivo desse medicamento. Um ano depois, o Ministério da Saúde também promulgou o protocolo.

 

No SUS qualquer serviço é entrada para o tratamento da depressão. Quando fui Ministro da Saúde fizemos duas mudanças que aprimoraram o cuidado do transtorno. Primeiro, o paciente é responsabilidade de toda equipe da unidade de saúde, que deve estar atenta, realizar testes diagnósticos e medidas para prevenção.

 

Segundo, construímos a Rede de Atenção Psicossocial com recursos para estados e municípios aderirem a politica. Problema mental não pode ser tratado apenas em ambiente hospitalar e quanto mais perto da família, trabalho e comunidade, melhor.

 

Não é fácil sofrer ou ter alguém na família com depressão. Por isso, mais do que profissionais e medicamentos, é importante levar os pacientes para as práticas integrativas disponíveis no SUS, como homeopatia, medicina tradicional chinesa, plantas medicinais, yoga, entre outras. E reforço: quem é profissional de saúde, em contato com o sofrimento, também tem que praticar, ou pira, como dizem.

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Alexandre Padilha é médico infectologista, foi Ministro da Coordenação Política de Lula, da Saúde de Dilma e Secretário de Saúde da gestão Fernando Haddad. Seja Companheiro, faça sua doação ao PT de Ribeirão Preto

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